Faralhão paga prejuízos da CGD

Balcão na localidade de Setúbal é um dos 180 a encerrar pelo banco. População manifesta-se este sábado

PAULO PIMENTA
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PAULO PIMENTA

O Faralhão, localidade com 3600 habitantes a uma dezena de quilómetros de Setúbal, está em luta contra o previsto encerramento da sucursal da Caixa Geral de Depósitos, único banco existente naquele sitio.

A agência, inaugurada há quase duas décadas, é uma de várias agencias que a CGD se prepara para encerrar no distrito de Setúbal – estando na calha encerramentos noutras zonas rurais como Canha (Montijo), ou Sobreda da Caparica (Almada) – e um dos 180 balcões que a administração de Paulo Macedo pretende fechar em todo o país, para equilibrar as contas do banco público.

O novo plano de negócios da CGD, conhecido desde Dezembro, previa o fecho de 180 agências em quatro anos e a saída de cerca de 2200 trabalhadores, sobretudo através de pré-reformas, mas foi revisto em alta esta sexta-feira por Paulo Macedo, em conferência de imprensa. O presidente executivo da CGD anunciou que a previsão passou para o encerramento de 181 agências e a eliminação de 2218 postos de trabalho até 2020. Um número de redução de postos de trabalho a que se soma as 460 saídas de funcionários ocorridas já em 2016. Uma reestruturação que deverá permitir ao banco reduzir os custos operacionais e diminuir as despesas com pessoal em 75 milhões de euros.

No Faralhão, os clientes da CGD têm vindo a saber do encerramento através do gerente da sucursal e, segundo o presidente da Junta de Freguesia do Sado, muitos estão dispostos a lutar contra a medida.

“Trata-se de uma decisão abrupta que queremos ver revogada, para bem da comunidade e da região”, disse Manuel Véstias ao PÚBLICO.

A autarquia lançou já esta sexta-feira um abaixo-assinado que recolheu de imediato mais de uma centena de assinaturas e marcou para este sábado à tarde uma reunião pública, com a população, no local, para definir formas de luta contra o encerramento da agência bancária.

Segundo o autarca, trata-se de uma unidade com cerca de quatro mil clientes e que, além da Freguesia do Sado, com quase seis mil habitantes, e a mais industrializada do concelho de Setúbal, serve também as populações vizinhas da Freguesia de Pontes, Gâmbia e Alto da Guerra.

“Com o fecho da agência do Faralhão, a CGD fica sem qualquer balcão entre a cidade de Setúbal e Alcácer do Sal”, refere Manuel Véstias, que contesta a postura do banco do Estado.

“Não se compreende como é que uma empresa de capitais públicos, que vai agora ser recapitalizada, vira assim as costas aos contribuintes que a vão financiar”, diz o autarca.

“O que nós queremos é que a CGD continue a funcionar, pela importância do serviço à comunidade”, acrescenta Manuel Véstias, concluindo que “o encerramento seria um transtorno para a população, que não tem mais nenhum banco na localidade, sobretudo para as pessoas mais idosas”.