CGD "reservou" três mil milhões para crédito de cobrança duvidosa

Como já estava a ser antecipado, banco público fechou último exercício com prejuízo recorde de 1859 milhões de euros.

Maioria das imparidades para cobrir crédito de risco foi constituída no último trimestre.
Foto
Maioria das imparidades para cobrir crédito de risco foi constituída no último trimestre. PAULO PIMENTA

A Caixa Geral de Depósitos atingiu no exercício de 2016 dois recordes negativos: o banco público constituiu provisões de 3017 milhões de euros, para fazer face a créditos de risco, e os resultados líquidos, em boa parte influenciados pela limpeza do balanço, atingiram 1859 milhões de euros negativos.

As elevadas provisões e imparidades, reveladas esta sexta-feira pela instituição, correspondem a exigências de Bruxelas no âmbito do plano de recapitalização. “Após o significativo reforço de imparidades e provisões, e o write-off de créditos, o crédito em risco na CGD reduziu-se para 10,5% da sua carteira”, explica a instituição em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários.

Com as referidas operações, “atingiu-se uma cobertura global por imparidades de 79%, com destaque para a cobertura de 100% alcançada no segmento de crédito a empresas”, acrescenta o comunicado. O rácio de cobertura de crédito vencido a mais de 90 dias atingiu 123,9%, um acréscimo de 21,7 pontos percentuais face a 2015.

Os 1859 milhões de euros de resultados líquidos negativos em 2016 comparam com 171 milhões de euros, igualmente negativos, registados no exercício anterior.

O resultado de exploração core (soma da margem financeira com comissões deduzida dos custos operativos) aumentou 68,7% face ao ano anterior, para 368,1 milhões de euros, beneficiando do comportamento da margem financeira e da redução dos custos operativos.

A margem financeira também evoluiu favoravelmente, com um crescimento de 60,2 milhões de euros (+5,5%) face ao ano anterior para 1144,9 milhões de euros.

O produto bancário alcançou 1547,2 milhões de euros em 2016, uma redução de 451,6 milhões de euros face ao ano anterior, que é explicada “essencialmente pela redução em 266,4 milhões de euros nos resultados em operações financeiras, que atingiram os 79,5 milhões de euros, e da quebra de 189,0 milhões de euros nos outros resultados de exploração (igualmente decorrente do exercício de avaliação de activos)”.

Os recursos de clientes totalizaram no final do ano 69.680 milhões de euros, uma queda de 5,1% face a 2015, uma redução maioritariamente verificada no segmento institucional, já que o banco agora liderado por Paulo Macedo avança que a redução de depósitos de particulares resultou de colocações nas Obrigações do Tesouro de Rendimento Variável (OTRV) registadas ao longo do ano.

Já o crédito a clientes bruto (incluindo créditos com acordo de recompra) reduziu-se em 3,7% face ao exercício anterior, para 68.735 milhões de euros, “fortemente influenciado pelos write-offs [abate ao activo/reconhecimento de perda] efectuados”, refere a instituição.