Grupo Lena e o seu presidente arguidos na Operação Marquês

Investigação a José Sócrates tem mais dois arguidos.

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PGR confirmou constituição de mais dois arguidos na Operação Marquês. Daniel Rocha

A Operação Marquês tem mais dois arguidos, avançou o Jornal de Negócios e confirmou o PÚBLICO junto da Procuradoria-Geral da República. Trata-se do presidente da holding do grupo Lena, Joaquim Conceição, e da própria empresa, a Lena SGPS, uma decisão já esperada nesta recta final do inquérito. 

Antes disso já tinham sido constituídas arguidas outras firmas do grupo - como a Lena- Engenharia e Construções, SA e a SGPS e a Rentlei- Automóveis e Turismo, bem como um dos fundadores do grupo, Joaquim Barroca. 

O presidente da holding do grupo Lena já tinha sido ouvido pelo menos duas vezes neste processo, mas como testemunha. Em Junho do ano passado, o Ministério Público chegou a notificá-lo para prestar declarações como arguido. No entanto, o gestor pediu para ser ouvido apenas como representante legal de quatro empresas do grupo (sociedades essas que foram constituídas arguidas) porque estava a negociar a reestruturação da dívida bancária do grupo e o facto de surgir como arguido "prejudicaria irremediavelmente" o mesmo. O procurador Rosário Teixeira aceitou o pedido, considerando que tal não prejudicava a investigação. 

Nessa altura, o Ministério Público imputava ao grupo Lena o uso de vários esquemas para  fazer chegar ao ex-primeiro-ministro José Sócrates e ao seu amigo de infância, Carlos Santos Silva, montantes avultados que seriam a contrapartida para que o governante usasse a sua influência junto das autoridades da Argélia, da Venezuela e de Angola. O objectivo era conseguir obter decisões favoráveis em vários concursos pendentes na Argélia bem como o pagamento de trabalhos já realizados nos outros dois países. 

Inicialmente, a investigação apontava as suspeitas de corrupção relativas a Sócrates apenas para o grupo Lena, defendendo que vários milhões que chegaram às contas de Carlos Santos Silva na Suíça eram a contrapartida pela intervenção do responsável político no desenvolvimento dos negócios daquele grupo, nomeadamente a construção de casas pré-fabricadas na Venezuela, as concessões rodoviárias, o projecto do TGV e as obras do Parque Escolar.

Já em 2015, a investigação conseguiu encontrar aquilo que considerou ser a origem do dinheiro, mantendo as suspeitas de corrupção ligadas apenas a 2,9 milhões de euros que tiveram origem no grupo Lena e passaram pela conta do administrador do grupo, Joaquim Barroca. O facto de se ter descoberto que 12 milhões de euros que também passaram por aquelas contas terem tido origem em offshores controladas por Helder Batáglia, administrador da ESCOM, uma empresa do Grupo Espírito Santo, abriu uma nova frente de suspeitas, relacionada com aquele grupo. 

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