Catarina Martins insiste: “Governo deve iniciar” substituição de Carlos Costa

Líder do Bloco volta a criticar governador do Banco de Portugal e deixa recado ao Governo sobre o défice.

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Catarina Martins Miguel Manso

Depois de já ter dito várias vezes que Carlos Costa não tem condições para continuar no cargo, Catarina Martins, coordenadora do Bloco de Esquerda, insiste na necessidade de haver uma mudança no Banco de Portugal e pede ao Governo para “iniciar o processo de substituição” de Carlos Costa.

“O Governo deve iniciar um processo [de substituição] com base em falha grave”, disse Catarina Martins em entrevista à TSF e ao Diário de Notícias. Questionada sobre o facto de António Costa ter dito que o governador do Banco de Portugal tem um estatuto inamovível, a líder do Bloco insistiu que a lei permite ao Governo exonerar o governador do regulador bancário em caso de falha grave.

“A lei explica que é complicado mas não é impossível, que a fundamentação para substituir um governador do Banco de Portugal tem de ser falha grave. E eu pergunto de quantas falhas graves é que precisamos mais para iniciar um processo que nos parece essencial para proteger o país?”, questionou novamente Catarina Martins, acusando Carlos Costa de três tipos de falhas no processo do Banco Espírito Santo (BES): “Falhas que permitiram a pessoas serem enganadas aos balcões do BES; falhas que permitiram um banco continuar a ser gerido por quem não tinha condições para o gerir; e falhas na prestação de informação perante uma comissão parlamentar de inquérito.”

A insistência de Catarina Martins surge numa altura de tensão entre o Governo e o Banco de Portugal, com António Costa a recusar nomes propostos por Carlos Costa para a administração do regulador. E surge também numa semana em que vários socialistas colocaram mais pressão sobre o BdP, depois uma reportagem da SIC deixar Carlos Costa ainda mais cercado, mostrando documentos que este nunca levara à comissão de inquérito sobre o BES.

Na entrevista à TSF e DN, Catarina Martins mostrou-se ainda insatisfeita com o valor do défice no ano passado (2,1%). “A diferença entre 3% de défice, que já serviria para Portugal sair do Procedimento por Défice Excessivo, e 2,1% são 1600 milhões de euros, que poderiam servir, por exemplo, para regressar aos anteriores escalões de IRS, que são tão importantes para recuperar rendimento das famílias. Ou seriam, por exemplo, os 800 milhões de euros que precisamos no Serviço Nacional de Saúde para substituir equipamento obsoleto, e pararmos de pagar aos privados o que devíamos estar a fazer no SNS. Ou para recuperar as escolas que estão fora do plano de recuperação do Governo onde há crianças e jovens a estudar e que precisam de ser recuperadas", disse a líder bloquista.