Sem apresentar provas, Trump acusa Obama de o ter colocado sob escuta

Presidente norte-americano acordou cedo e decidiu atacar o seu antecessor.

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Reuters/POOL

O Presidente dos EUA, Donald Trump, acusou neste sábado Barack Obama de ter colocado os telefones do seu escritório na Trump Tower, em Nova Iorque, sob escuta antes das eleições.

A acusação foi feita na conta de Twitter de Trump, sem que o actual Presidente tenha explicado em que se baseia para fazer esta acusação.

Pouco passava das cinco e meia da manhã na costa Leste dos Estados Unidos quando o Presidente Donald Trump escreveu no Twitter que a Administração Obama interceptou comunicações no seu escritório de Nova Iorque antes da eleição para a Casa Branca, em Novembro.

“Terrível! Acabo de descobrir que Obama tinha os meus telefones na Torre Trump sob escuta mesmo antes da vitória. Não encontraram nada. Isto é Macartismo!”, escreveu o Presidente norte-americano, referindo-se ao seu antecessor, Barack Obama.

Este tweet surgiu numa série de mensagens matinais feitas por Trump na sua página desta rede social, uma série em que, entre outras coisas, procura defender Jeff Sessions, o homem que escolheu para procurador-geral, das acusações que enfrenta por causa das suas ligações à Rússia, em particular a Serguei Kisliak, embaixador de Moscovo nos Estados Unidos desde 2008.

“O mesmo embaixador russo que se encontrou com Jeff Sessions visitou Obama na Casa Branca 22 vezes, quatro delas no ano passado”, continua Trump, procurando reagir, assim, ao mais recente episódio do escândalo que envolve a sua equipa. Isto sem deixar de lembrar que a primeira reunião entre Sergei Kisliak e o procurador-geral, o equivalente a um ministro da Justiça, foi organizada pela Administração Obama.

Investigações recentes têm revelado vários contactos entre membros do staff mais próximo de Donald Trump e representantes do Kremlin durante a corrida à Casa Branca, precisamente na mesma altura em que o partido democrata era alvo de ciberataques alegadamente promovidos por Moscovo com o objectivo, segundo os serviços secretos americanos, de favorecer o actual Presidente e prejudicar Hillary Clinton.

O Senado, a Câmara dos Representantes e o FBI têm levantado uma série de suspeitas sobre a participação desta equipa e até do próprio Donald Trump em todo este escândalo, embora o seu envolvimento ainda não tenha sido dado como provado.

Acossado pela oposição democrata, Trump parece ter passado agora o contra-ataque para o Twitter. Que provas terá contra Barack Obama e a sua equipa? Não se sabe, já que o Presidente não faz sequer menção de levantar o véu sobre quaisquer informações eventualmente comprometedoras para a anterior Administração, mas isso não o impede de escrever coisas como “Quão longe desceu o Presidente Obama para pôr o meu telefone sob escuta durante o muito sagrado processo eleitoral. Isto é Nixon/Watergate” ou “É legal um Presidente em funções pôr ‘sob escuta’ uma corrida presidencial […]?”.

As suspeitas sobre as ligações russas a alguns dos mais importantes colaboradores de Trump parecem estar aí para ficar. No mês passado, o conselheiro nacional de segurança, Michael Flynn, foi forçado a demitir-se na sequência de conversações com Serguei Kisliak e de declarações falaciosas sobre elas. Esta semana ficou a saber-se que o procurador-geral teve duas reuniões com o mesmo diplomata russo em Washington que se esqueceu de mencionar aos senadores durante o processo que levaria à sua confirmação no cargo. 

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