Muito do melhor jazz do mundo vem de um quintal na Parede

Fundada em 2001, quando a venda de discos já vinha por aí abaixo, uma pequena editora portuguesa dedicada ao jazz contemporâneo tornou-se uma das mais importantes no mundo. Hoje, a Clean Feed leva mais de quatro centenas de discos publicados.Ao leme desta história improvável está Pedro Costa.

Em Julho de 2015, no Festival de Jazz de Ljubljana, 250 pessoas foram testemunhas de um encontro até agora único na história do jazz contemporâneo. Craig Taborn e Mats Gustafsson, músicos de geografias tão distantes quanto as suas naturezas musicais, tomaram o palco para um encontro cujos frutos ninguém poderia colher antecipadamente. Nascido no Minnesota, Taborn é um dos mais notáveis pianistas em actividade, um colosso capaz de magníficas deflagrações de lirismo ou melodias hipnóticas; Gustafsson, originário do norte da Suécia, afirmou-se como um dos mais espantosos saxofonistas da cena europeia, inflamando o som do instrumento com um vigor desembestado, como se fosse um filho do punk plantado de surpresa no meio jazzístico. Imaginar a música que poderia resultar de um inusitado encontro entre os dois poderia ser tão descabido quanto um delírio de ficção científica. Dificilmente ocorreria a quem quer que fosse.

Acontece que numa passagem de Gustafsson por Lisboa, o saxofonista confessou este desejo inesperado a Pedro Costa, editor da Clean Feed (uma das mais respeitadas casas do jazz contemporâneo a nível mundial) e um dos dois programadores do mais antigo festival de jazz no continente europeu, em Ljubljana. A partir desse momento, Pedro dedicou-se àquilo em que é seguramente um mestre: transformou a manifestação de um desejo em algo real, pôs-se em contacto com Taborn, conciliou as agitadas agendas dos dois e proporcionou-lhes o palco para estrearem o duo na capital eslovena. Em suma, fez acontecer. A iniciativa não poderia ser sua, garante. “Gosto que sejam os músicos a dar os primeiros passos, senão sou apenas eu a brincar aos deuses”, diz ao P2 no jardim da sua casa, na Parede. A escassos metros, numa garagem convertida em espaço de trabalho, funciona o quartel-general da Clean Feed.

E vão 400!

Não é acidental que tenhamos começado por evocar a parceria de Taborn e Gustafsson. É a gravação desse concerto, em vinil, que marca a edição 400 da Clean Feed. Já se tornou um hábito cada centena de álbuns editados ser comemorada por uma edição especial – o número 100, por exemplo, é uma valiosíssima caixa de quatro CD que documenta uma série de gravações em duo de Anthony Braxton e Joe Morris, duas lendas vivas do jazz norte-americano. Mas nem por isso estes encontros improváveis e geradores automáticos de interesse no público especializado são procurados por Pedro Costa. “Temos muitos discos no catálogo de músicos que atravessam as fronteiras das suas próprias cenas”, diz, citando o exemplo de Tony Malady acompanhado por William Parker e Nasheet Waits, ou de encontros entre músicos americanos e europeus. “Mas são coisas que saem da cabeça deles.”

A missão que Pedro Costa idealizou com os irmãos Carlos e Nuno, e o músico Rodrigo Amado ao fundar a Clean Feed, em 2001, era já claramente a de documentar o jazz que se faz hoje. Inventar um projecto que não existe ou não tem razão de existir seria não apenas perverter esse propósito como também, possivelmente, perturbar o equilíbrio natural de uma comunidade que tem as suas teias de ligações e constrói afinidades ou dissonâncias estimulantes criativamente de acordo com os seus interesses. “Se o John Coltrane tivesse andado por aí a tocar com toda a gente e não tivesse tido o seu grupo, a música dele nunca chegaria onde chegou”, defende. “Prefiro acompanhar um grupo sólido que desenvolve uma linguagem, um reportório, ligações entre os músicos e as suas diferentes abordagens do que gravar coisas que até podem vender mais discos mas depois não representam nada.”

As vendas, na verdade, nunca foram uma obsessão para a Clean Feed. Pedro Costa ainda se afogueia, aliás, ao lembrar que no arranque da editora um crítico de jazz o avisou “Agora vais ter de começar a fazer coisas de que não gostas”. “Fiquei maluco”, recorda. “Como é que aquele tipo pensava que eu desistia da minha vida de trabalhar nos discos, em que recebia razoavelmente bem, para fazer uma coisa minha e comprometia desde logo o que me tinha levado até ali?” Comprador compulsivo de discos desde os oito anos, tinha crescido a trabalhar em lojas especializadas e, aos 30 anos, na altura em que largou tudo para criar a sua etiqueta, era chefe de compras nas secções de jazz de grandes cadeias de lojas.

Pelo meio do jazz, o bacalhau

“Tal como abro um restaurante para apresentar comida em que acredito, também tenho uma editora para fazer a música em que acredito.” A comparação poderia ser aleatória, mas não o é. Há alguns meses, Pedro Costa investiu num restaurante instalado na Sociedade Musical União Paredense (SMUP), espaço onde também programa alguns concertos, cujo principal atractivo são as 52 receitas de bacalhau – todas as semanas a ementa muda. A cabeça volta-se de novo para a música e garante que “mais depressa largava a editora e começava a fazer outra coisa” do que comprometia publicar apenas a música de que gosta, mesmo que quebrar essa regra fosse a forma de garantir a sobrevivência da empresa. Felizmente, nunca teve de se submeter a esse teste.

Nem nas suas expectativas mais optimistas, ainda assim, Pedro poderia ter imaginado que uma editora sediada em Portugal se transformaria num ápice numa das mais respeitadas do jazz a nível mundial. Em 2005, no final de um ano com edições de Mark Dresser, Dennis González, Paal Nilssen-Love, Bernardo Sassetti ou Gerry Hemingway, era nomeada pela primeira vez pelo influente site All About Jazz como uma das cinco melhores editoras mundiais, distinção que se foi repetindo também pela Associação de Críticos de Jazz Norte-Americana e tornando quase corriqueira neste percurso.

Ao contrário do que Pedro Costa inicialmente pensou, “estarmos sediados em Lisboa e não termos na altura uma cena local tão forte” acabaria por se revelar não um sério óbice ao reconhecimento da editora, mas uma séria vantagem. “Se a Clean Feed estivesse em Nova Iorque acabava por ser uma editora a documentar o jazz de Nova Iorque. É difícil ver mais além quando se está numa cena muito forte. E nós aqui, por não estarmos tão cegos com a cena local – que é cada vez melhor –, conseguimos ver o mundo inteiro. Isso permite-nos uma diversidade que não é possível a outras editoras.”

PÚBLICO -

Uma vida muito boa

Apesar desse trajecto bem-sucedido, a estabilidade editorial e a sua reputação cada vez mais sólida não chegam para que os quatro membros da equipa (Pedro, Jorge Travassos, Madalena Borges e Ricardo Leiria) possam dispensar outras actividades. Nada de inesperado, ninguém se meteu nisto para enriquecer. Parece quase contraditório que sem números de vendas estratosféricos ou um ocasional best seller que pague todas as outras apostas, uma pequena estrutura dedicada a uma música pouco mediática e para um público especializado, fundada em plena crise da indústria discográfica (daí o lema wrong but strong) publique 50 álbuns por ano, num ritmo que se diria suicidário. “O esquema está montado de uma forma que, na verdade, quantos mais discos pusermos cá fora, melhor”, afirma Pedro Costa. “Acho que é pela visibilidade que nos traz editarmos tanto. Como não temos fundos para fazemos publicidade nos jornais, nas revistas, na televisão ou na rádio, uma das formas de vencermos é pela persistência. Se antes havia quem se perguntasse como é que estes malucos em Portugal editam 50 discos num ano, isso traz-nos um certo respeito porque já somos malucos há 15 anos e isso há-de querer dizer alguma coisa. Claro que cada disco tem de ser pensado para não dar prejuízo.”

Embora nalguns casos saiba, à partida, que a probabilidade de o disco se pagar é, na melhor das hipóteses, remota. Nessas excepções, bastante ponderadas, não deixar a música na gaveta sobrepõe-se ao prejuízo dado como garantido, na esperança de que os anos venham a valorizar a obra ou o artista em questão. De resto, coloca o dinheiro no quarto, quinto, talvez até sexto lugar das suas prioridades na vida. “Aquilo que tiro daqui é muito maior do que o dinheiro, coisa de que às vezes as pessoas desconfiam. Tiro uma satisfação muito grande, conheço músicos incríveis, pessoas extraordinárias, farto-me de viajar, sou respeitado. Mas não sou nenhum filantropo, não faço isto para a Humanidade, faço para mim, e tenho uma vida muito boa.” Mesmo que, para não estar em sofrimento para pagar contas, os livros dos filhos ou uma visita ao dentista, seja necessário inventar outras fontes de rendimento – como, agora, o restaurante.

Em cada lançamento, Pedro sabe, por isso, que há um equilíbrio tácito que se encontra sempre em fundo: prosseguir numa actividade em que acredita apaixonadamente e que é, ao mesmo tempo, um negócio, com uma folha de salários para assegurar, músicos a pagar, compromissos para cumprir e uma mão-cheia de dores de cabeça logísticas e burocráticas. “É um equilíbrio difícil”, admite, mas a sobrevivência da empresa depende tanto da sua estável mas frágil saúde financeira quanto do sangue investido por cada um dos quatro, que se entregam de corpo e alma ao dia-a-dia da editora.

Em tudo isto, há sempre um factor humano que extravasa a música. Pedro Costa diz não conseguir sequer separar o trabalho do resto da sua vida, não consegue imaginar-se na reforma ou a ir de férias e esquecer a editora – na verdade, leva sempre consigo um carregamento de discos novos para ouvir, trabalho e prazer novamente juntos. No mesmo jardim onde nos encontramos não é raro apanhá-lo em churrascadas com músicos como Ken Vandermark, Fred Lonberg-Holm, Paal Nilssen-Love ou Tony Malaby. “Tê-los aqui é a mesma coisa do que ter os meus amigos, e isso não é trabalho – mas também é”, diz.

Não espanta que essa zona do churrasco seja entre a casa e o escritório, com a editora quase a entrar-lhe fisicamente pela sala de estar. “Há muita gente neste meio para quem a relação com os músicos é apenas comercial. Falo com eles ao telefone, por skype e para mim é tudo a mesma coisa. Edito discos daquelas pessoas, não edito discos de entidades abstractas. Toda a gente gosta de ser bem tratada e, no fundo, um pouco das mesmas coisas – comer bem, conviver, ouvir música, aproveitar a música. Gosto e tento proporcionar isso às pessoas que estão à minha volta.”

Um músico bom toca aquilo que é

Essa humanização das relações de trabalho ou, mais simples do que isso, a extensão natural de este trabalho ser alimentado por uma paixão desmedida pela música e pelos seus criadores, faz com que Pedro acredite que é também devido ao respeito, à confiança e à amizade que se criam para lá dos discos que alguns dos músicos que gravam para a Clean Feed o fazem desde o início. O lado humano é especialmente importante no terreno do jazz e da música improvisada. Em palco e em disco, é frequente perceber-se a tensão e a forma como os músicos se provocam e desafiam, como armadilham o caminho para que os temas nunca cedam ao conforto. É uma música com uma obsessão quase patológica pela não repetição, pela descoberta de fundos falsos que permitam aceder a outro lugar, pelo abismo.

Em casos como o encontro entre Craig Taborn e Mats Gustafsson, que antes desse concerto não se conheciam sequer, a música é testemunha de dois homens a farejarem-se e a procurarem estabelecer um diálogo, usando tanto a cautela quanto a insolência para descobrir quem é e como reage o outro. “É como na vida real”, compara Pedro Costa. “Quando há interesse em que a comunicação seja estreita, em encontrar caminhos novos entre estéticas e opiniões, é uma coisa muito salutar.” A tensão desses primeiros encontros em palco, sobretudo em duo, conduz muitas vezes aos mais notáveis resultados musicais, já que o desconhecimento do outro obriga a uma concentração absoluta, a um sistemático estado de alerta e a colocar todos os recursos ao serviço da capacidade de reagir à música que segue numa marcha imparável. Daí que, apesar de ser objecto de treino uma vida inteira, a improvisação não responda ao academismo.

Para Pedro, “um músico que fala imenso é também um músico que fala imenso a tocar”, tal como “outro que é reservado, que diz poucas coisas mas acertadas, contribui para a música da mesma maneira”. “Acredito que um músico bom toca aquilo que é.” Essa verdade transparece e tem um impacto tão forte que ultrapassa quaisquer barreiras. Daí que duvide de quem torce o nariz ao jazz desculpando-se com a ideia de que é preciso aprender, educar o ouvido, etc. E contrapõe: “Já tive as experiências mais incríveis que me provaram o contrário, já apresentei concertos de contrabaixo solo numa Aldeia do Xisto, no meio de uma feira de queijos, em que nunca ninguém ouviu aquilo na vida e as pessoas adoraram. Quando a música é feita a sério, seja de que género for, as pessoas percebem.” Sempre que lhe dizem também que o jazz é melhor ao vivo, não se espanta, porque quando assistem a um concerto “as pessoas estão sentadas e não podem estar a falar, a cozinhar ou a passar a ferro ao mesmo tempo”. O que muda é a disponibilidade e a atenção. Saber os nomes dos músicos ou relacioná-los com a História de qualquer género não é verdadeiramente importante.

O que é nacional é bom

Também Pedro Costa procura, muitas vezes, não saber os nomes dos músicos que ouve. Muitos dos discos que lhe enviam como proposta de edição, escuta-os sem saber quem são os músicos, evita que a sua ideia sobre a música se imponha antes das primeiras notas. “Abro o CD, ponho a tocar e não quero saber de onde são, se são brancos, pretos, gordos ou magros.” É a melhor maneira de perceber o potencial da música e se de facto lhe interessa lançá-la na Clean Feed. Essa prática está implícita em todo o catálogo da editora. Não porque os mais de 400 lançamentos (o número já se aproxima dos 420, uma vez que saem em fornadas de seis, sete ou oito) resultem todos de provas cegas, mas porque esta forma de colocar a música à frente dos nomes leva a que nomes consagrados, como Gerry Hemingway, Anthony Braxton, ou Tim Berne, surjam lado a lado com quase desconhecidos, de que são exemplo Pascal Niggenkemper ou Gorilla Mask.

“Acredito que uma das razões para o Joe Morris ou o Tony Malaby lançarem pela Clean Feed”, diz Pedro Costa acerca desta convivência que não respeita hierarquias, “é por sentirem que esta é uma editora actual e que edita a música. Se fosse uma Sunnyside, que só edita consagrados ou música mais confortável, acho que não tinha tanto interesse para estes músicos que ainda têm tanto para dar e que querem continuar a gravar música de ponta.”

O notável reconhecimento internacional que a Clean Feed rapidamente obteve levou a que, em 2005, e para cimentar uma relação natural com os músicos e o mercado norte-americanos – ainda hoje, o grosso das vendas da editora, por meio postal, é assegurado por compradores nos Estados Unidos, o que faz dos quatro Clean Feed clientes-estrela dos correios da Parede, onde todas as semanas expedem várias dezenas de discos –, criassem um festival em Nova Iorque, montra tanto dos músicos da cidade que publicavam na editora quanto de alguns músicos portugueses que viajavam na comitiva. A Portugal, chegavam sempre os ecos da lança na Meca do jazz contemporâneo, mas também da marca lusa deixada pelas pequenas mostras de cultura portuguesa à porta das salas, onde partilhavam vinho, queijo, pão e azeite nacional. “Tornou-se uma loucura”, recorda, “já fazíamos arroz doce e tudo.” Com o fim do festival e o convite para ser co-curador de Ljubljana, há seis anos que Pedro Costa parte para Eslovénia com a mesma ideia e as malas carregadas de queijos, conservas e o apoio de um produtor vinícola nacional. “Tenho a mesma conversa do que todos os portugueses – não sou nacionalista mas as nossas coisas são as melhores.”

Identidade da música

O consenso gerado em torno da Clean Feed conduziu a uma muito oficial visita do então Presidente da República Cavaco Silva à loja Trem Azul, no Cais do Sodré, onde funcionaram também os escritórios da editora até 2014. A pompa da visita deu-se então como exemplo de sucesso do “empreendedorismo jovem”. Pedro, que até achou piada ao aparato da situação, tudo passado a pente fino pela Brigada de Minas e Armadilhas, ri-se do “jovem” – “já tinha 40 anos” – e irrita-se com o “empreendedorismo”. “O empreendedorismo para mim é uma coisa vazia, uma coisa sem sentido. O mundo e Portugal estão cheios de empreendedores bacocos, dessa coisa vazia de intenção, em que existe apenas a energia de fazer – não interessa o quê, se bem se mal.”

Quando a Trem Azul encerrou em 2014 era um autêntico sorvedouro dos meios financeiros da editora e, por isso, o fim de uma experiência de sonho que era ter uma loja de discos de jazz (e não só) no coração de Lisboa foi, afinal, libertador e permitiu concentrar toda a atenção na editora. Pedro, que não é homem de se demorar a olhar o passado, livrou-se também da frustração de ter percebido que à medida que o Cais do Sodré se transformava, a sua presença fazia cada vez menos sentido ali. “Aquela zona transformou-se num circo”, lamenta. “E Lisboa transformou-se no retro-vintage-gourmet, toda uma representação nostálgica de algo que nunca existiu. As padarias clássicas inventadas há dois ou três anos, e sem multibanco para não pagarem impostos, as barbearias de luxo, cafés com um chão não sei quantos, tudo à antiga, mas um antigamente em que nada daquilo existia.”

Para alguém que aposta tudo na identidade da música que edita, é incompreensível a perda de identidade da capital, mal se distinguindo de qualquer outra cidade europeia. É esse mesmo respeito pela identidade que faz com que goste de dizer que os melhores guitarristas do mundo são Johnny Ramone e Terry Ex. Tipos que não respondem à valorização habitual da técnica neste tipo de epítetos, mas que não se confundem com nenhum outro. Talvez esse seja até o maior desafio que Pedro aponta à formação musical do jazz em Portugal, demasiado ocupada, no seu entender, “a formar músicos capazes de tocar muito bem qualquer música que já se fez”, e pouco dedicada a “dar-lhes ferramentas para encontrarem o seu caminho”. Enquanto escolas como o Conservatório de Trondheim, cita a título de exemplo, segue uma lógica de mestre e discípulo, trabalhando a outra escala e lançando para a vida profissional, todos os anos, músicos incentivados a desenvolver e explorar a sua identidade, aqui “andamos a formar instrumentistas para irem tocar com a Adelaide Ferreira ou o Tony Carreira”. E é essa via pessoal que admira em Johnny Ramone e Terry Ex. É isso que conta. O resto não é música, são provas de habilidades.É isso que conta. O resto não é música, são provas de habilidades.

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