Prémio Oceanos de Literatura alarga-se a todos os livros publicados em língua portuguesa

Ana Sousa Dias vai ser a curadora portuguesa do prémio literário brasileiro que passa agora a aceitar a candidatura de obras editadas em Portugal.

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Ana Sousa Dias é a nova curadora de literatura portuguesa e africana pbc pedro cunha

O Prémio Oceanos de Literatura em Língua Portuguesa vai pela primeira vez ser aberto a todos os livros publicados em língua portuguesa em qualquer país. Até aqui, o ex-prémio Portugal Telecom de Literatura, que há três anos mudou de nome e passou a ter como parceiro o Itaú Cultural, contemplava só obras de autores dos países da Comunidade dos Países da Língua Portuguesa (CPLP) que estivessem editadas no Brasil. Esta foi uma das novidades apresentadas na conferência de imprensa que decorreu esta quinta-feira em São Paulo, no Brasil, e foi transmitida em streaming. O prémio incide sobre livros de poesia, prosa de ficção, dramaturgia e crónica escritos originalmente em língua portuguesa. 

Outra das novidades para a edição de 2017 é que, além dos curadores brasileiros Selma Caetano e Manuel da Costa Pinto, o prémio passará a ter na curadoria a portuguesa Ana Sousa Dias. A jornalista participou na conferência de imprensa ao lado do director do Itaú Cultural, Eduardo Saron, da curadora-coordenadora, Selma Caetano, e do curador de literatura brasileira, Manuel da Costa Pinto. Ana Sousa Dias, que é redactora principal do jornal Diário de Notícias, passará a ser a curadora de literatura portuguesa e africana. 

"A avaliação que vou fazer não é uma avaliação do conteúdo dos livros, é uma avaliação formal para verificar se o livro é aceitável ou não nos termos do regulamento. Não sou do júri e não faço assessoria de imprensa, sou curadora", quis deixar claro na sua intervenção a jornalista portuguesa. 

Tal como explicou a curadora Selma Caetano, entre os 740 livros inscritos na edição do ano passado estavam 14 obras de escritores portugueses, duas de escritores angolanos e uma de um escritor moçambicano. Entre 2007 e 2016, 80% dos livros finalistas foram de autores brasileiros, 16% de autores portugueses e 4% de autores africanos. No mesmo período, 79% dos vencedores foram livros de autores brasileiros, 21% foram livros de autores portugueses (sete no total); nenhum escritor africano venceu o prémio. 

"O Prémio Oceanos vai mapear e dar um instantâneo da literatura de língua portuguesa em todo o mundo", explicou Manuel da Costa Pinto. "É um prémio que vai conversar não apenas com a cena editorial brasileira mas com todos os países lusófonos, predominantemente com Portugal, já que a maior parte dos autores da África lusófona publicam em Portugal." O modelo que o Oceanos seguiu quando pensou na internacionalização foi o do Man Booker Prize, um dos prémios mais importantes de língua inglesa, que abrange agora escritores de todas as nacionalidades, desde que tenham publicado originalmente a sua obra em inglês.

"Assim como nós em Portugal conhecemos os grandes nomes da literatura brasileira e pouco mais, no Brasil também conhecem alguns grandes nomes da literatura portuguesa. Há todo um mundo que não chega aqui. Creio que com esta novidade de poderem concorrer ao Oceanos livros que foram publicados em Portugal, Angola, Moçambique, Cabo Verde e até em Timor", acrescentou Ana Sousa Dias, "vai haver uma boa surpresa no Brasil com a quantidade de bons escritores [portugueses] que vão participar." "Vai ficar mais complicado o trabalho dos jurados, mas vai ficar mais completo", disse ainda. 

O valor total do prémio é de 230 mil reais (cerca de 70 mil euros). Cem mil reais (30 mil euros) vão para o primeiro lugar, 60 mil reais (18 mil euros) para o segundo, 40 mil reais (12 mil euros) para o terceiro e 30 mil reais (nove mil euros) para o quarto premiado. Os quatro vencedores do ano passado foram Galveias, de José Luís Peixoto, que conquistou o primeiro lugar seguido de A Resistência, do brasileiro paulista Julián Fuks, O Livro das Semelhanças, da poeta mineira Ana Martins Marques, e o livro de contos Maracanazo e outras histórias, do carioca Arthur Dapieve.