Opinião

Cartas ao director

Gerigonça e milagres económicos!

A posição liquida em relação ao exterior de Portugal registou um excedente de 1,7%, melhorando o 1,2% de 2015. Para este resultado contribuíram a evolução positiva das exportações, turismo remessas dos emigrantes. Convém lembrar que o principal motivo que levou Portugal e restantes economias periféricas da zona euro ao resgate residia nos enormes desequilíbrios externos da nossa balança de pagamentos, que chegou a défices de 9% do produto, o que se reflectiu num crescimento exponencial da divida externa.

Aqueles que advogavam que um orçamento expansionista que estimulasse o consumo criaria a explosão do crédito e das importações, enganaram-se, uma vez que como seria de esperar, os aumentos dos rendimentos das famílias das classes mais baixas traduziram-se na aquisição de bens nacionais de baixo valor. É importante salientar, que ao contrário do que aconteceu em anos anteriores, o equilíbrio da balança de pagamentos não se fez à custa da degradação da qualidade de vida dos portugueses, mas sim pela dinâmica da economia, via. Se a estes valores acrescentarmos o terceiro saldo primário mais elevado da zona euro, o défice mais baixo da última década e a redução do desemprego, apenas poderemos retirar o “chapéu” à gerigonça.

João António do Poço Ramos, Póvoa de Varzim

É uma casa

É preocupante o número de mortes registado em 2016: " foi  o maior dos últimos 56 anos"! O número de mortes supera o de nascimentos... e prevê-se que em 2060, refere Amílcar Correia no Editorial de domingo, 26, a população seja de 6, 3 milhões! Envelhecimento, gripe sazonal e tumores malignos explicam os óbitos do ano passado.

Mas nem tudo são más notícias. Há números de esperança. O projecto É Uma Casa (da Associação Crescer) já instalou, em quatro anos, 15 pessoas que viviam há décadas na rua. Li a história de Luís, Ana (27 anos a dormir na rua sobre respiradouros de ar quente) e José (38 anos na rua) a quem lhes foi dada uma chave para uma nova vida. A Câmara de Lisboa "quer alargar o programa para 180 casas até 2018". Esperemos que este projecto se dissemine por todo o país, se descentralize também...

Céu Mota, Santa Maria da Feira

Offshores

  Nos últimos dias, veio à tona um (novo) caso de fuga ao fisco. Novamente, um político volta a estar envolvido numa situação vergonhosa e o Estado (todos nós) é lesado em muitos milhões de euros que escapam ao fisco. Para não falar na astúcia e na sordidez de quem cometeu tal ilícito, isentando-se dos deveres que tem para com a sociedade, resta-me apontar baterias ao que considero estar esquecido: reparar o mal que foi feito. Será que alguma vez o Estado irá receber o que deveria ter recebido?

Perturba-me profundamente a forma como somos lesados, e como, através das pessoas envolvidas, se cria uma imagem cada vez pior de quem desempenha funções políticas, afastando os cidadãos da vida pública.

Lucas Oliveira, Ílhavo