Bomba recolhida na Nazaré foi detonada no mar

O dispositivo antigo, provavelmente do tempo da II Guerra Mundial, foi detonado por mergulhadores da Marinha a mais de um quilómetro da costa.

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A Marinha analisou a bomba desde o início da tarde e deflagrou o engenho no mar LUSA/CARLOS BARROSO
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Uma bomba recolhida esta segunda-feira por uma embarcação de pesca ao largo da Nazaré foi detonada no mar por mergulhadores da Marinha Portuguesa.

O engenho, em elevado estado de corrosão, tinha sido “pescado” cerca das 9h pelo arrastão Mar Salgado, quando a embarcação “se encontrava na faina ao largo da Nazaré”. A bomba foi então transportada para o porto local, onde esteve isolada durante a tarde, “com um perímetro de segurança de cerca de 300 metros”, divulgou a capitania.

A detonação, que ocorreu ao final  da tarde ao largo da foz do rio Alcoa, “foi uma explosão controlada, com cargas detonantes, a 25 metros de profundidade, afastada da costa mais de mil metros”, informou ao PÚBLICO o porta-voz da Marinha Portuguesa, Pedro Coelho Dias.

De acordo com o capitão do porto da Nazaré, Paulo Agostinho, citado pela agência Lusa, a bomba teria cerca de “202 quilos de H6, um explosivo equivalente a 600 quilos de TNT” (trinitrotolueno). A colocação das cargas foi feita por elementos do Destacamento de Mergulhadores Sapadores N.º 1 da Marinha Portuguesa. Devido ao elevado peso, a bomba foi levada para o local determinado  pelas autoridades com a ajuda do Mar Salgado, o mesmo arrastão que antes tinha retirado o engenho explosivo das águas. 

O porta-voz da Marinha descreveu ainda ao PÚBLICO que o engenho, com cerca de 1,5 metros de comprimento, apresentava as características de uma bomba de aeronave do tipo MK82, do tempo da II Guerra Mundial, apesar de estar num estado de corrosão tal que já não tinha “inscrições”. O dispositivo, acrescentou o responsável, “sofreu alguns embates quando veio para cima, quando foi apanhado pela rede de pesca” do arrastão, o que aumentou os cuidados da intervenção dos mergulhadores da Marinha.

Questionado sobre os possíveis impactos ambientais da detonação, o porta-voz da Marinha assegurou que a explosão não se verificou “na entrada do rio e não afectará as águas”. Pedro Coelho Dias acrescentou ainda que a área escolhida para a detonação fica afastada também da zona de pesca dos barcos.

O presidente da Associação de Armadores de Pesca da Nazaré, Joaquim Zarro, afirmou ao PÚBLICO que foram tomadas “precauções ao nível da segurança”. Também João Paulo Delgado, membro do conselho de administração da seguradora Mútua dos Pescadores, considerou que “todas as precauções foram tomadas e foram avaliados esses riscos”, em particular do ponto de vista da segurança dos trabalhadores no mar.