OMS diz que é urgente criar novos antibióticos contra 12 perigosas bactérias

São “agentes patogénicos prioritários” e as maiores ameaças para a saúde humana, diz a Organização Mundial da Saúde, que avisa que muitos já evoluíram para superbactérias multirresistentes.

Bactérias como a <I>Staphylococcus aureus</i> resistente à meticilina (MRSA) tornaram-se uma ameaça à saúde
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Bactérias como a Staphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA) tornaram-se uma ameaça à saúde Fabrizio Bensch/Reuters

Novos antibióticos precisam urgentemente de ser desenvolvidos para combater 12 famílias de bactérias, alertou a Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta segunda-feira, descrevendo esses “agentes patogénicos prioritários” como as maiores ameaças para a saúde humana. A agência de saúde das Nações Unidas adiantou que muitas dessas bactérias já evoluíram para superbactérias mortais que são resistentes a muitos antibióticos.

Estas bactérias “desenvolveram capacidades de encontrar novas maneiras para resistir aos tratamentos”, disse a OMS, adiantando que elas conseguem passar material genético a outras bactérias, permitindo que também se tornem resistentes aos fármacos. Segundo o alerta da OMS, os governos precisam de investir em investigação e desenvolvimento se querem encontrar novos fármacos a tempo e não devem esperar pelas forças do mercado para aumentar o financiamento necessário para combater esta ameaça.

“A resistência aos antibióticos está a crescer e estamos rapidamente a ficar sem opções de tratamento”, avisou Marie-Paule Kieny, directora-geral adjunta da OMS para os sistemas de saúde e inovação. “Se deixarmos as forças do mercado sozinhas, os novos antibióticos de que precisamos com mais urgência não serão desenvolvidos a tempo.”

Nas últimas décadas, as bactérias resistentes aos fármacos, como a Staphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA, na sigla em inglês) ou a Clostridium difficile, transformaram-se numa ameaça à saúde global, e as estirpes multirresistentes de infecções como a tuberculose e a gonorreia são agora intratáveis.

A OMS já tinha alertado há pouco tempo para o risco de muitos antibióticos se tornarem totalmente obsoletos neste século, deixando os doentes expostos a infecções mortais. Naquele que foi seu primeiro relatório global sobre resistência antimicrobiana, de 2014, com dados de 114 países – Resistência Antimicrobiana – Relatório Global sobre Vigilância, a OMS dizia que a disseminação de superbactérias que escapam até aos mais poderosos antibióticos já não era uma previsão do futuro e que estava a acontecer agora mesmo em todo o mundo. Era já uma grande ameaça de saúde pública: “O mundo está a caminhar para uma era pós-antibióticos, em que as infecções comuns e os pequenos ferimentos, tratáveis há décadas, podem voltar a matar”, dizia então Keiji Fukuda, subdirector para a área da segurança na saúde da OMS.

A resistência aos medicamentos é provocada pelo mau uso e uso excessivo de antibióticos, o que encoraja as bactérias a desenvolverem novas formas de sobreviver a esses tratamentos. Apenas uma mão-cheia de antibióticos foram desenvolvidos e chegaram ao mercado nas últimas décadas, sublinhava a OMS em 2014, e que estávamos numa corrida contra o tempo encontrar mais antibióticos à medida que as bactérias que provocam infecções evoluem para “supermicróbios” resistentes às terapias mais poderosas usadas como último recurso e reservadas para os casos extremos.

Estimava-se que uma das superbactérias mais conhecidas, a MRSA, mataria sozinha cerca de dez mil pessoas todos os anos nos Estados Unidos. Na Europa os números são semelhantes e em Portugal este problema também é bastante grave.

A lista de “agentes patogénicos prioritários” agora publicada pela OMS classifica-os em três rankings – crítico, alto e médio – de acordo com a necessidade urgente de novos antibióticos.

O grupo crítico inclui as bactérias multirresistentes que afectam especialmente hospitais, lares de idosos e outras unidades de cuidados de saúde e em que nos tratamentos de usam dispositivos como ventiladores e cateteres. Neste grupo incluem-se as bactérias Acinetobacter, Pseudomonas e várias Enterobacteriaceae (onde estão a Klebsiella, Escherichia coli, Serratia e Proteus) que podem causar infecções graves e muitas vezes mortais, como pneumonia e septicemia.

Os outros dois grupos contêm bactérias cada vez mais resistentes aos fármacos que causam doenças mais comuns como a gonorreia e intoxicações alimentares provocadas por salmonelas.

A OMS disse que a publicação desta lista pretende incentivar os governos a aplicar políticas que apostem na investigação científica tanto básica como avançada. Esta semana em Berlim, a lista vai ser discutida por especialistas de saúde do G20, grupo das maiores economias mundiais.

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