Democratas escolhem Perez para liderar o partido contra Trump

Tom Perez é o presidente do Partido Democrata
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Tom Perez é o presidente do Partido Democrata Reuters/CHRIS BERRY
Keith Ellison é o vice-presidente
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Keith Ellison é o vice-presidente Reuters/CHRIS BERRY
Embora de facções diferentes, os candidatos uniram-se
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Embora de facções diferentes, os candidatos uniram-se Reuters/CHRIS BERRY

O Partido Democrata elegeu, neste sábado, o ex-secretário do Trabalho, Tom Perez, escolhendo assim um veterano do governo Obama para a difícil tarefa de reconstruir o partido e liderar a oposição ao presidente republicano, Donald Trump.

Os membros do Comité Nacional Democrata, o braço administrativo e de angariação de fundos do partido, escolheram Perez na segunda volta da votação sobre Keith Ellison, um liberal de Minnesota. Depois de uma das eleições mais renhidas, Perez enfrenta agora o desafio de unificar e rejuvenescer um partido que ainda não recuperou da derrota presidencial de 8 de Novembro, quando a candidata Hillary Clinton perdeu para Trump.

No sentido de unir o partid, Perez juntou de imediato Ellison à sua equipa, como vice-presidente. Depois de perder a presidência e deixar de ter a maioria no Congresso, o Partido Democrata quer agora canalizar a crescente resistência popular a Trump para voltar a ganhar espaço político. "Estamos a sofrer uma crise de confiança, uma crise de relevância", reconheceu Perez, um dos ex-funcionários favoritos da administração Obama, prometendo liderar a luta contra Trump e mudar a cultura do partido para torná-lo mais próximo das bases.

Perez, filho de imigrantes dominicanos, que foi considerado candidato em potencial por Clinton, superou um forte desafio contra Ellison e venceu por 235 contra 200 na segunda volta. Ellison, que é o primeiro muçulmano eleito para o Congresso dos EUA, foi apoiado pelo senador Bernie Sanders, de Vermont.

O confronto entre os candidatos, um apoiado pelo establishment e outro pelas alas progressistas do partido, fez lembrar as primárias de 2016 entre Clinton e Sanders, nota a Reuters. Estas divisões persistiram durante a corrida de meses para a presidência do partido, já que muitos na ala liberal desconfiavam dos laços de Perez com o establishment e alguns democratas levantaram questões sobre o possível anti-semitismo de Ellison.

Depois de conhecidos os resultados, Ellison fez um apelo à união: "Peço que dêem tudo o que têm para apoiar o presidente Perez", disse. "Nós não nos podemos dar ao luxo de sairmos desta sala divididos."

"Somos uma família, e sei que saíremos unidos daqui, hoje", disse, por seu lado, Perez. "Um Partido Democrático unido não é apenas a nossa melhor esperança, é o pesadelo de Donald Trump."

E por falar no presidente norte-americano, este já reagiu à escolha de Perez, como é seu apanágio, através do Twitter. "Não poderia estar mais feliz por ele ou pelo Partido Republicano!", escreveu.

 

 

À imprensa o presidente e o vice-presidente dos democratas apareceram juntos e declararam: "Precisamos fazer mais para colaborar com os nossos parceiros do movimento progressista", disse Perez, acrescentando que ele e Ellison procurariam maneiras de "canalizar este momento incrível" dos protestos contra Trump e contra os esforços republicanos para revogar os cuidados de saúde do presidente Barack Obama, o Obamacare.

Por seu lado, Sanders emitiu uma declaração felicitando Perez e pedindo mudanças no partido. "É imperativo que Tom entenda que o mesmo velho, velho, não está a funcionar", escreveu. "Devemos abrir as portas do partido aos trabalhadores e aos jovens de uma maneira que nunca foi feita antes."

Tanto Pérez como Ellison fizeram o compromisso de se concentrarem na reconstrução do partido, que perdeu centenas de cadeiras estaduais sob Obama e enfrenta uma tarefa difícil na tentativa de recuperar a maioria no Congresso nas eleições do próximo ano. "Eu reconheço que tenho muito trabalho a fazer", disse o novo presidente. "Estarei lá fora ouvindo e aprendendo nas próximas semanas."