Tarrafal, de Pedro Neves, compete no dinamarquês CPH:DOX

Filme foi seleccionado para o festival internacional de cinema documental CPH:DOX, considerado o terceiro maior do mundo

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No filme Pedro Neves o filme procura desvendar as memórias dos moradores do bairro S. João de Deus Adriano Miranda

O filme Tarrafal, de Pedro Neves, foi seleccionado para a secção Next:Wave, do festival internacional de cinema documental CPH:DOX, em Copenhaga, considerado o terceiro maior do mundo.

O programa completo do festival vai ser anunciado na próxima quarta-feira, mas entre os seleccionados das várias secções encontra-se Tarrafal, na recém-criada secção Next:Wave, a par de uma co-produção entre Portugal e a Noruega da artista Emily Wardil, intitulada No Trace of Accelerator (apoiada pelo Museu Calouste Gulbenkian), em estreia mundial na secção de cruzamento entre documentário e arte visual de nome New:Vision.

De acordo com a página do festival, que se realiza entre 16 e 26 de Março, o prémio Next: Wave foi criado este ano em parceria com o patrocinador Normann Copenhagen para distinguir "cineastas emergentes, jovens talentos que têm a coragem de arriscar e sobressair na cena cinematográfica internacional". Em concurso naquela secção estão nove filmes, com obras de países como o Irão ou o México. Em comunicado, o Porto/Post/Doc realça que "o cinema português continua em grande nos festivais internacionais" e recorda que "o filme procura desvendar as memórias dos moradores do bairro S. João de Deus, um dos míticos bairros sociais do Porto".

"O Porto/Post/Doc acolheu o filme na sua competição, onde recolheu rasgados elogios dos programadores internacionais que estiveram no festival. A sua selecção no CPH:DOX é uma consequência da visibilidade conseguida no Porto. Por isso mesmo, o Porto/Post/Doc irá agora promover a distribuição nacional e internacional do filme. (...) O filme será distribuído no circuito dos cineclubes, a partir do mês de Março, percorrendo várias cidades portuguesas", anunciou aquela associação.

Sobre a obra, o CPH:DOX refere que, "se os blues da gentrificação fossem um género, Tarrafal seria o som de uma voz rouca a cantar à noite" e que, "enquanto filme, é inquestionavelmente português e uma experiência estranhamente assombrosa". Depois de já ter marcado presença no festival Porto/Post/Doc em 2015 com Bairrismos, Pedro Neves explicou à Lusa, no âmbito da estreia no Porto, que Tarrafal (nome usado para designar o São João de Deus, demolido em 2008 sob ordens da Câmara Municipal do Porto presidida por Rui Rio) partiu desse outro trabalho, depois de ter filmado vários bairros da cidade.

"Na altura que andava lá, acabei por conhecer gente de lá e à medida que ia ouvindo aquela história, fiquei a pensar que o filme que realmente queria fazer era aquilo, que no fundo é quase uma história sobre a inexistência de um lugar", disse Pedro Neves. As filmagens do filme apoiado pela Câmara Municipal do Porto decorreram durante cerca de um ano e meio e levaram ao pensamento de "como é que se faz um filme sobre um lugar que já não existe, sendo que ele tem uma presença ainda muito forte", algo em particular patente nas memórias relatadas pelos habitantes. O realizador questionou ainda "como é que um sítio assim deixa tantas saudades", lembrando o bairro como um lugar onde "parecia que tudo aquilo que podia correr mal, correu, desde a génese".

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