Jornalistas de pelo menos oito órgãos impedidos de entrar na Casa Branca

CNN, BBC, New York Times ou Politico foram alguns dos órgãos que viram a entrada barrada para o briefing com o secretário da imprensa da Casa Branca.

Jornalistas deixam sala de imprensa da Casa Branca em solidariedade com os órgãos impedidos de entrar
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Jornalistas deixam sala de imprensa da Casa Branca em solidariedade com os órgãos impedidos de entrar Reuters/YURI GRIPAS

Os jornalistas da CNN, BBC, New York Times, LA Times, New York Daily News, Daily Mail, BuzzFeed, Politico, entre outros, foram impedidos de entrarem na Casa Branca para assistirem ao briefing diário do secretário da imprensa da Administração Trump, Sean Spicer, noticia o Independent. O Washington Post, outro dos principais jornais americanos, informou que não tinha qualquer repórter presente no local.

Em solidariedade, os repórteres da Associated Press e da revista Time recusaram-se a acompanhar a conferência de imprensa. A Associação de Correspondentes da Casa Branca também se juntou ao protesto.

Em sentido contrário, a NBC, ABC, CBS, Fox News, Wall Street Journal, Reuters e Bloomberg foram autorizados a fazerem a cobertura da conferência de imprensa, para além de organizações como o Breitbart News (site a que esteve ligado o principal estrategista de Trump, Steve Bannon), The Washington Times e a One America News Network.

Sarah Sanders, uma porta-voz da Casa Branca, já concedeu as primeiras explicações para a decisão: “Nós convidámos a pool [grupo fixo de órgãos que costumam fazer a cobertura na Casa Branca] para que toda a gente estivesse representada. Nós decidimos acrescentar mais algumas pessoas para além da pool. Nada mais do que isso”.

As pool da Casa Branca normalmente incluem representantes de uma televisão, de uma rádio, um jornal e jornalistas de algumas agências noticiosas. Mas, antes, a Casa Branca havia informado os repórteres que o habitual briefing, na sala de imprensa e transmitida em directo pelas televisões, iria ser substituído por um encontro no gabinete de Spicer, noticia a comunicação-social americana com base no que foi relatado pelos jornalistas aí presentes. Ou seja, este tipo de sessão é menos formal do que aquele que normalmente é transmitido pelas televisões, mas as anteriores Administrações não pré-seleccionavam os órgãos que podiam ou não marcar presença.

O director executivo do New York Times, Dean Baquet diz, em comunicado, que “nada disto alguma vez aconteceu na Casa Branca durante a sua longa história de cobertura de várias administrações”. “O acesso livre da imprensa a um Governo transparente é obviamente do crucial interesse nacional”, conclui.

A CNN reagiu também à situação em comunicado afirmando que este é “um desenvolvimento inaceitável por parte da Casa Branca de Trump”. “Aparentemente, assim é como eles retaliam quando se relatam factos que eles não gostam. Independentemente disso, vamos continuar a noticiar”, conclui a estação.

Horas antes, num discurso perante uma plateia de políticos conservadores, o Presidente americano deu sequência à guerra contra a comunicação social, denunciando aquilo que considera serem "notícias falsas" e acusou os jornais de "inventarem fontes". Trump repetiu a acusação de que este órgãos são os principais "inimigos do povo americano".