Luís Montenegro: "Em Lisboa, já precisávamos de ter um candidato na rua"

Luís Montenegro assume que as autárquicas serão difíceis, mas não vão pôr Passos em causa.

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Nuno Ferreira Santos
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O líder parlamentar do PSD vê a liderança de Passos Coelho “muito estabilizada”. E avisa: não serão as autárquicas a tirar-lhe o lugar.

Não teme, olhando para as sondagens, que as autárquicas seja um tudo ou nada para o PSD?
Tudo ou nada nunca foi. Há quatro anos tivemos umas autárquicas mesmo quase abaixo de nada, tivemos um dos piores resultados da história do PSD. Foram eleições muito difíceis e este ciclo autárquico é muito difícil, porque muitas das mudanças que ocorreram em 2013 estão ainda em final do primeiro mandato, as condições não são muito favoráveis. Temos capacidade de gerar bons candidatos pelo país fora, tenho andado muito pelo país a apresentar candidatos e estou convencido de que podemos ter um bom resultado. Mas se um mau resultado desembocasse em instabilidade partidária… nem tínhamos ganho em 2015. Não aconteceu na altura, mas se deste resultado emanar uma alternativa política dentro do partido, ela será bem-vinda se for transparente e corajosa.

O calcanhar de Aquiles da estratégia do PSD é a Câmara de Lisboa. Ainda podemos vê-lo a si como candidato?
Já tive ocasião de dizer que não serei candidato autárquico. 

Mesmo que lhe seja pedido para salvar a honra do convento?
Com franqueza, creio que não preciso de dar provas de disponibilidade para o combate político do PSD. Precisamos é de uma candidatura forte do PSD em Lisboa, porque é possível vencer a Câmara de Lisboa. Não vejo melhorias na cidade que possam dificultar uma alternativa mobilizadora e ganhadora. É evidente que o timing está a chegar ao ponto em que é desejável que um candidato possa aparecer, para ter tempo para interagir com os eleitores e lhe permitir ganhar confiança. Se me pergunta 'era melhor termos um candidato hoje?' Acho que sim, era uma altura em que já precisávamos de ter um candidato na rua.

O partido está com dificuldades em encontrar alguém.
A nossa estratégia é ter um candidato até ao final de Março. O ideal era já ter um candidato na rua, porque derrubar o poder - democraticamente, claro - requer algum tempo. Sobretudo se atendermos a que o candidato possa não ter um perfil como Santana Lopes, que anunciou uma candidatura em Abril mas tinha uma interacção com os eleitores muito facilitada.

Era um candidato desse perfil que...
Dependendo do perfil do candidato, o timing também é relevante. Eu diria que ainda estamos a tempo. Mas no geral, está a decorrer de acordo com a nossa expectativa, já temos um terço dos candidatos aprovados e muitas dezenas de outros escolhidos.

Em Setembro disse que Maria Luís Albuquerque seria uma boa candidata. Acha que ela estaria disponível?
Não faço ideia, foi a título exemplificativo. O PSD tem um conjunto muito alargado de pessoas que podem fazer esse combate com capacidade ganhadora, ela é uma delas. Não quero estar a encurralar a decisão. Ela era uma boa candidata, mas há outras.

A liderança do partido pode estar no seu horizonte?
Não, eu vejo a liderança do PSD muito estabilizada para os próximos anos.

Mas no dia em que Passos Coelho sair, estará disponível?
Espero que esse dia esteja longe, sinceramente. Tenho uma forte convicção na capacidade e preparação do dr. Passos Coelho para liderar o PSD e o Governo.

Acha que isso ainda pode acontecer no tempo em que Marcelo for Presidente?
Acho que sim.