Espanha liberta um dos evadidos de Caxias

Atraso no envio de um dos mandados de captura poderá explicar o sucedido.

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Dois dos três evadidos estão em liberdade ADRIANO MIRANDA / PUBLICO

Um dos dois reclusos chilenos evadidos de Caxias que tinham sido detidos esta segunda-feira no aeroporto de Barajas, em Madrid, foi libertado pelas autoridades espanholas. O segundo continua detido, confirmou o PÚBLICO junto de fonte próxima do processo.

Ambos haviam sido interceptados pelas autoridades espanholas por se encontrarem na posse de documentos de identificação falsos. Entretanto, chegou a Espanha um mandado de captura internacional relativo ao fugitivo que permanece detido. Sem um segundo mandado de captura internacional para o segundo chileno e sem espaço no Centro de Internamento de Estrangeiros no aeroporto de Barajas, as autoridades espanholas decidiram libertá-lo.

Com 29 e 30 anos, os dois homens estavam a aguardar julgamento em prisão preventiva na cadeia de Caxias, sendo arguidos por furto e roubo em processos criminais diferentes, o que poderá explicar o motivo pelo qual as autoridades espanholas receberam apenas um mandado. O mandado de captura internacional do segundo fugitivo chileno já terá sido entretanto emitido. De nacionalidade portuguesa, um terceiro evadido de Caxias continua também a monte.

O PÚBLICO tentou obter esclarecimentos da polícia espanhola e do Ministério da Justiça português, até ao momento sem sucesso. Numa nota de imprensa, o Ministério da Justiça refere apenas que assim que souberam da fuga dos três reclusos, que ocorreu na madrugada de domingo, “as autoridades portuguesas trocaram a informação necessária não só entre si, mas também no âmbito dos mecanismos de cooperação policial internacional, tendo ainda sido desenvolvidas acções, que continuam em curso, no âmbito da cooperação judicial internacional”. O PSD requereu entretanto a audição parlamentar urgente da ministra da Justiça, para avaliar o que esteve na origem da evasão.

Entre os guardas prisionais de Caxias cresce entretanto um sentimento de injustiça, descreve Júlio Rebelo, do Sindicato Independente do Corpo da Guarda Prisional: "A Direcção-Geral dos Serviços Prisionais disse que os guardas ao serviço eram suficientes, o que é injusto. E insuficientes eram também as torres de vigia no activo: das sete existentes, há muito que só funcionavam três. As duas mais próximas do local por onde se deu a fuga estavam sem vigilância", repete o dirigente sindical, contrariando assim a versão oficial do sucedido.  com Ana Henriques