Opinião

Hipocrisia rançosa

Como não têm nada a apresentar ao país encontraram na CGD a âncora para estarem presentes no quotidiano político dos portugueses aproveitando o imbróglio criado pela tentativa de fuga ao dever dos gestores públicos.

Há algo de intrigante no quotidiano político desta nossa nação à beira mar estendida a construir algo de novo neste velho continente. Algo cómico e revelador da fragilidade dos políticos que colocam os mercados e o capital financeiro acima dos portugueses e de tudo.

Há algo de indisfarçável indignidade na postura de alguns dos dirigentes máximos do PSD e CDS ao colocarem-se em bicos de pé a criticar os resultados alcançados pelo atual governo no que se refere ao défice, ao crescimento económico, à pacificação das escolas, aos avanços contra a precariedade do emprego, ao aumento do salário mínimo e à reposição dos rendimentos, à acalmia social.

Passos e Cristas estiveram quatro anos no poder “absoluto”, pois tinham maioria absoluta. Impuseram cortes em nome do resgate. A recessão foi brutal. A dívida pública passou de cerca de 94 % do PIB para mais de 128.7%...Segundo a parelha Passos/Portas de que fazia parte a Drª Cristas  Portugal tinha de empobrecer e empobreceram os portugueses, sob o estandarte da punição por viverem acima das possibilidades sacando-lhes o pouco que tinham para juntar e fazer muito e entregar aos banqueiros da crise…

Há dias Passos vociferava contra Costa porque até agora, já lá ia um ano, e nada tinha feito a favor da descentralização…

Passos/Portas/Cristas estiveram no governo quatro longos anos e no que toca a descentralização o que fizeram? A começar pelo era primeiro-ministro, no segundo vice-primeiro e na terceira ministra da Agricultura e do Mar não fizeram nada.

Tornaram-se peritos em desmandos económicos - austeridade à bruta, do género aguentam, aguentam…os resultados estão à vista.

Quem se lembra de uma única medida que tenha o apoio da generalidade dos portugueses?  Uma! a sério, uma!

As exportações? Apesar da crise no Brasil, em Angola e na Venezuela este governo tem tido resultados superiores aos do governo de Passos.

Os vistos gold , apresentados no estilo Portiano, muito para além da pompa e circunstância, têm trazido alguns ricalhaços a comprar prédios em Portugal e nessas negociatas a podridão implantou-se num largo segmento dessa área como o atesta o julgamento que corre no Campus da Justiça da fina flor correlacionada.

O que fez a Drª Assunção de benéfico e que se visse na agricultura ou nas pescas? Uma medida? Tirando as visitas às feiras ao lado dos agricultores, que fez?

Deixou perder quotas de produção de leite e de captura de pesca. Apoiou a Portucel com o aumento do cultivo do eucalipto e introduziu mil e um cursos para serrar, para pulverizar, para tudo e para nada…criando empregos para as espertas clientelas partidárias.

Agora corre por Lisboa para ver se entala o PSD e se mostra a este partido que é útil no futuro e não lhe está reservado um lugar de bengala.

Lembram-se da Drª Maria Luís, a espalhafatosa ministra dos cofres cheios a transbordar? Que fez? Uma medida de bem…ainda há dias garantia que o défice não ficaria abaixo dos 3%...vejam bem o quilate da Srª Dr.ª  dos orçamentos retificativos a granel.

Fez tanto ou tão pouco a favor dos portugueses que a Arrow a foi buscar para continuar na senda de procurar negociatas sobre créditos malparados em que os chorudos resultados vão parar à nova entidade empregadora.

Como não têm nada a apresentar ao país encontraram na CGD a âncora para estarem presentes no quotidiano político dos portugueses aproveitando o  imbróglio criado pela tentativa de fuga ao dever dos gestores públicos.

Sem a Caixa que não conseguiram privatizar que fariam os dirigentes de proa do PSD e do CDS? Saber o que toda a gente já sabe?

A direita portuguesa de tão submissa à política austeritária alemã está enraivecida com o facto de ver o país crescer, atingir as metas do défice, diminuir o desemprego, sem ser à custa de quem trabalha…Afina o TINA era uma falácia, há alternativa, o acordo à esquerda que favorece uma vida melhor e mais digna para quem trabalha.

Tiveram quatro longos anos em que tudo o que fizeram foi dirigido a empobrecer os portugueses e olham para este governo como o diabo olha para a cruz, tarrenego Costa, Jerónimo, Catarina, cruzes, Satanás. Pois que assim continuem com tal hipocrisia rançosa.