Jeff Mills vai lançar em Março o álbum com a Orquestra Sinfónica do Porto

O conhecido DJ e compositor americano vai lançar um disco que resulta de uma gravação ao vivo com a Orquestra Sinfónica do Porto na Casa da Música.

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O DJ, produtor e compositor americano Jeff Mills vai lançar a 24 de Março o disco Planets, que parte de uma gravação ao vivo com a Orquestra Sinfónica do Porto na Casa da Música. “Este é um dos projectos da minha vida. Agora que vamos lançar o disco, estamos num ponto em que Planets não tem fim. Com cada descoberta significativa nos planetas, temos de voltar atrás e mexer na composição. Se for como quero, este projecto vai perdurar para lá da minha morte, com alguém a continuar o nosso trabalho consoante o avanço do conhecimento humano”, contou o compositor e DJ americano, em entrevista à Lusa a partir de Miami.

Com o compositor francês Sylvain Griotto a cargo dos arranjos para orquestra, a peça é uma “revisitação” da obra homónima de Gustav Holst que Jeff Mills tem vindo a desenvolver desde 2005 a partir do conhecimento humano sobre os planetas da Via Láctea. Ao todo, são nove faixas sobre os planetas e nove outras “mais misteriosas e experimentais” sobre o espaço, num disco editado em vários formatos através da editora fundada pelo próprio músico, a Axis Records.

Depois da gravação ao vivo, em Julho de 2015, com a Orquestra Sinfónica do Porto na Casa da Música, o álbum passou por várias fases de mistura, tendo sido concluído nos estúdios Abbey Road, em Londres. Jeff Mills é uma das figuras mais emblemáticas da cultura de música de dança, nomeadamente pelo seu papel pioneiro com o chamado tecno de Detroit, de onde é originário. Foi um dos fundadores do colectivo Underground Resistance no final dos anos 1980, tendo desde então vindo a evidenciar as suas qualidades como produtor e DJ.

Apaixonado pelos cenários da ficção científica, levou a sua música aos vários domínios da arte, começando por criar ao vivo o som para A Mulher na Lua, de Fritz Lang, e compondo mais tarde uma nova banda sonora para o filme Metrópolis, do mesmo realizador. Actuou também várias vezes, para além da Sinfónica do Porto, com a Orquestra Filarmónica de Montpellier. Em 2005 musicou em Lisboa o filme mudo Three Ages, de 1926, com Buster Keaton. Como DJ apresenta-se um pouco por todo o mundo. Tem sido presença assídua em Portugal ao longo dos anos e será um dos cabeças-de-cartaz do Festival Forte que acontece em Montemor-o-Velho, entre 24 e 26 de Agosto.

Planets será, como admitiu o músico, um projecto menos interessado na divisão entre música clássica e electrónica e mais focado “nos amantes da música, que são as pessoas que estarão mais interessadas no álbum, independentemente de virem da música clássica ou da electrónica”. O americano pensa que o disco “vai apelar mais a pessoas que amam a música como arte e não tanto aos entusiastas de tecno que querem sair à noite ou os ouvintes puristas de música clássica”.

“Música é só uma forma de nos expressarmos e é possível fazer isso com samba à terça, tecno à quinta e gospel ao domingo. A questão do género não é tão importante como a mensagem da música em si”, comentou. Também os amantes de ciência, astrologia e ficção científica poderão encontrar “uma forma interessante de perceber como os planetas são abordados pela electrónica e clássica”, referiu.

“A combinação entre clássica e electrónica está tão interligada que é difícil para o ouvinte determinar o que é o quê. Fizemos este arranjo para que não seja apenas o encontro de dois géneros, mas antes um corpo de músicos, de música clássica e electrónica, a trabalhar para um som comum”, explicou o americano, de 53 anos.

A 12 de Junho, Mills vai apresentar a peça no Barbican, em Londres, acompanhado pela Britten Sinfonia, no âmbito de uma residência naquela sala da capital inglesa, e tem previsto “uma sessão de escuta” do disco na Casa da Música para os membros da Orquestra Sinfónica do Porto. “Quero trazer Planets de volta à orquestra porque lhes pertence, e gostava muito de o poder tocar pelo menos uma vez por ano. Não sei se a ideia já foi pensada mas é o que gostaria de fazer”, atirou o compositor.

“A tecnologia está a ajudar a levar a música a mais sítios de forma mais livre, por isso tenho interesse em criar um projecto que se revele a uma geração que exista daqui a décadas ou mesmo séculos no futuro”, referiu Mills, que identificou Planets como um exemplo desse objectivo, a par da próxima composição clássica em que está a trabalhar, Lost In Space, sobre “o que se pode encontrar quando se está perdido no espaço”.

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