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“Há um problema com o valor do euro”, diz Merkel

EUA acusam Alemanha de lucrar com um euro desvalorizado. Chanceler diz que o problema é a política do BCE, que está desenhada para países como Portugal.

Angela Merkel e o vice-presidente norte-americano Mike Pence encontraram-se em Munique
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Angela Merkel e o vice-presidente norte-americano Mike Pence encontraram-se em Munique LUSA/PHILIPP GUELLAND

A chanceler alemã Angela Merkel afirmou na sexta-feira que a zona euro enfrenta neste momento “um problema com o valor do euro”, que está directamente relacionado com a política escolhida pelo Banco Central Europeu (BCE) para servir os países com crescimentos mais fracos e problemas de consolidação orçamental, como Portugal. 

Merkel, que falava na 53ª Conferência de Segurança de Munique, um fórum que, como o nome indica, se destina a discutir temas relacionados com a segurança, fez uma inusitada incursão pelos temas de política monetária, relata a Reuters.

“O Banco Central Europeu tem uma política monetária que não se dirige especificamente à Alemanha, antes está a ser feita à medida de países que vão de Portugal à Eslováquia”, afirmou a líder germânica.

“Se ainda tivéssemos o marco [alemão], de certeza que teríamos um valor do euro diferente”, afirmou Angela Merkel, sublinhando que se trata de “uma política monetária independente” sobre a qual não tem “qualquer influência enquanto chanceler”.

Estas declarações de Merkel, feitas com o vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, na audiência, serviram mais uma vez para rebater as acusações de Peter Navarro, um conselheiro económico do Presidente norte-americano Donald Trump, que diz que a Alemanha  tem lucrado com “um euro altamente desvalorizado”.

Em Janeiro, em entrevista ao Financial Times, o economista que lidera o novo Conselho do Comércio da Casa Branca afirmou que o euro é como “um marco alemão implícito” que tem dado vantagem competitiva à Alemanha nas trocas comerciais com os outros países.

Em resposta às críticas norte-americanas, Merkel afirmou então que o seu país sempre defendeu que o BCE seguisse “políticas independentes”, tal como o banco central alemão fez antes da criação do euro.

"Como resultado, eu não posso e não quero mudar a situação", acrescentou Merkel, citada pela emissora pública alemã Deutsche Welle.

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