Cidade Pequena, a curta portuguesa que conquistou Berlim

Curta-metragem de Diogo Costa Amarante distinguida com o Urso de Ouro no Festival de Berlim.

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Frederico Costa Amarante, um dos protagonistas do filme premiado DR

A curta-metragem Cidade Pequena, de Diogo Costa Amarante, foi distinguida neste sábado com o prémio Urso de Ouro no Festival de Berlim. Nascido no Porto, em 1982, o realizador agora distinguido filma aqui a relação entre uma mãe (Mara Costa Amarante) e um filho (Frederico Costa Amarante) que descobre na escola, aos seis anos, que as pessoas morrem quando o coração delas pára. Essa descoberta perturbante para Frederico leva-o a não conseguir dormir.

Com uma fotografia atenta ao detalhe, como na pintura italiana do Renascimento, Cidade Pequena é uma produção de autor. Formado em direito, o realizador já tinha passado pela Berniale em 2009 e 2014, neste último ano com a curta Rosas Brancas. A curta-metragem agora galardoada teve estreia no festival Curtas Vila do Conde em 2016. É o segundo ano consecutivo que uma curta portuguesa ganha o concurso de curtas berlinense, depois de Balada de um Batráquio de Leonor Teles em 2016 (antes, houvera Rafa de João Salaviza, em 2012).

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Diogo Costa Amarante DR

No curto discurso de aceitação do prémio, Amarante agradeceu à família, que com ele criou aquela obra de 19 minutos, e à equipa de curtas-metragens da Berlinale, “a mais acolhedora” que existe. “Quando Frederico, de seis anos, descobre na escola que as pessoas morrem quando os corações param de bater, não consegue dormir nessa noite. No dia seguinte, a sua mãe pergunta na escola novamente: Será que se deve contar sempre a verdade às crianças?”, pode ler-se na sinopse existente na página do festival de Berlim. O júri, composto pelo artista alemão Christian Jankowski, pela curadora norte-americana Kimberly Drew e pelo programador chileno Carlos Núñez, escolheu o filme cujos enquadramentos “lembram a atenção ao detalhe presente nos quadros do Renascimento italiano”.

Amarante foi bolseiro Fulbright, tendo completado um MFA em realização e produção cinematográfica na cidade de Nova Iorque e visto o seu primeiro argumento para longa-metragem, Migrar pelas Sombras, financiado, de acordo com a biografia disponível na página do festival. Diogo Costa Amarante foi realizador, co-produtor, argumentista, director de fotografia, de montagem e corresponsável pelo som de Cidade Pequena, uma curta-metragem co-produzida com Miguel Dias e com a Agência da Curta Metragem.

Horas antes, em Berlim, tinha sido anunciado que o filme Os humores artificiais, de Gabriel Abrantes, conquistou a nomeação do júri internacional do festival para o prémio de melhor curta-metragem europeia de 2017 nos European Film Awards.

A 67.ª edição da Berlinale encerrou este sábado com a entrega do Urso de Ouro ao filme húngaro de Ildiko Enyedi, On Body and Soul. O júri presidido pelo realizador holandês Paul Verhoeven atribuiu o Grande Prémio do Júri a Félicité, do franco-senegalês Alain Gomis; Aki Kaurismäki foi o melhor realizador por The Other Side of Hope, e os prémios de representação foram para a coreana Kim Min-hee e para o austríaco Georg Friedrich. Portugal, que estava a concurso com Colo de Teresa Villaverde, leva para casa o Urso de Ouro das curtas-metragens, pelo segundo ano consecutivo, por Cidade Pequena de Diogo Costa Amarante.

Palmarés

  • Urso de Ouro: On Body and Soul de Ildiko Enyedi
  • Grande Prémio do Júri: Felicité de Alain Gomis
  • Prémio Alfred H. Brauer para um filme que abre novas perspectivas: Agnieszka Holland por Pokot
  • Urso de Prata para Melhor Realização: Aki Kaurismäki por The Other Side of Hope
  • Urso de Prata para Melhor Actriz: Kim Min-hee por On the Beach at Night Alone de Hong Sang-soo
  • Urso de Prata para Melhor Actor: Georg Friedrich por Helle Nächte de Thomas Arslan
  • Urso de Prata para Melhor Argumento: Sebastián Lelio e Gonzalo Maza por Una Mujer Fantastica de Sebastián Lelio
  • Prémio Melhor Contribuição Artística: Dana Bunescu pela montagem de Ana, mon Amour de Calin Peter Netzer
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