Trump queixa-se de ter herdado uma "confusão", mas diz que "a máquina está afinada"

Durante mais de uma hora, o Presidente americano conduziu uma conferência de imprensa descrita como "insana" e na qual voltou a dar informações erradas.

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LUSA/SHAWN THEW
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A poucos dias de completar um mês na Casa Branca, Trump deu a sua primeira conferência de imprensa, totalmente sozinho. Durante 77 minutos, o Presidente dos EUA enfrentou uma sala de jornalistas, a quem voltou a classificar como desonestos. Trump queixou-se de ter “herdado uma confusão”, quer na política interna, quer nas relações internacionais, mas garante que a sua Administração “está a funcionar como uma máquina afinada” e chuta os problemas para a “imprensa falsa”.

"O Médio Oriente está um desastre. A Coreia do Norte: vamos tratar disso, pessoal. Vamos tratar de tudo. Só quero que saibam que herdei uma confusão."

E o que está a Casa Branca a fazer? "Nunca houve um Presidente que tivesse feito tanto, em tão pouco tempo. E só estou a começar", avaliou.

“Ligo a televisão e só vejo histórias de caos, caos. E passa-se exactamente o oposto”, defendeu o chefe de Estado norte-americano queixando-se das mais recentes notícias sobre as conversas com Moscovo, que podem prejudicar a sua relação com o Presidente russo. "Putin provavelmente assume que já não pode fazer um acordo comigo porque politicamente essa seria uma decisão pouco popular", destacou Trump.

Uma das afirmações com que foi confrontado foi a do número de votos do Colégio Eleitoral, que Trump alega ter sido o maior das últimas três décadas. “Tive 306 votos no Colégio Eleitoral. Porque as pessoas saíram e votaram como nunca. Acho que é a maior vitória no Colégio Eleitoral desde Ronald Reagan”, afirmou durante a conferência.

Um jornalista da NBC recuperou o número apresentado por Trump e confrontou-o com os números verdadeiros das últimas eleições, questionando a sua legitimidade em acusar a imprensa de publicar informação falsa, quando ele apresentava dados errados.

O jornalista lembrou que Obama teve mais votos, tanto em 2008 (365) como em 2012 (332). Trump interrompeu-o para esclarecer que estava a falar dos republicanos, mas o jornalista lembrou que também George H.W. Bush teve uma vantagem eleitoral superior, com 426 votos. “Deram-me essa informação. Aliás, vi essa informação a circular”, justificou Trump, sem especificar a origem dos números que apresentou. “Tivemos uma grande, grande margem. Foi uma vitória muito considerável, não concorda?", questionou. “É o Presidente”, respondeu o jornalista. “Boa resposta”, concluiu Trump antes de passar para outro jornalista.

A conferência contou com outros momentos insólitos. No momento em que foi questionado por uma jornalista afro-americana, editora da rádio American Urban, sobre o seu programa de regeneração no interior das cidades – e se estes planos incluíam ouvir o Congressional Black Caucus, que representa congressistas afro-americanos, Trump respondeu com uma pergunta: “Quer organizar o encontro? São seus amigos?”. “Sou apenas uma jornalista. Conheço alguns”, respondeu April Ryan. Pouco depois da conferência, a organização do Congresso contou no Twitter que enviou uma carta dirigida à Casa Branca a 19 de Janeiro para agendar um encontro, carta essa que – até àquele momento – não tinha obtido resposta.

Horas depois, a jornalista April Ryan escrevia que a Casa Branca teria contactado o Congressional Black Caucus para marcar um encontro, não adiantando para já data concreta.

As fugas são verdadeiras, as notícias falsas?

Sobre as informações que têm surgido acerca da relação próxima de membros da equipa da Casa Branca com Moscovo, Trump responde que são falsas, "foram obtidas ilegalmente e a imprensa devia ter vergonha de as publicar". “Russia is fake news”, repetiu. Mas “se as fugas de informação são verdadeiras, como podem as notícias ser falsas?”, questionou outro jornalista.

Trump não é claro, mas respondeu que consegue distinguir instintivamente a verdade da mentira. “Eu sei quando estão a dizer a verdade e quando não estão. Já vi muitas mentiras. E digo-vos o que mais eu vejo. Vejo o tom. E o tom é de ódio. E eu não sou má pessoa”, sintetizou. “Consigo bons níveis de popularidade, têm de admitir isso”, continuou.

E foi também nos níveis de popularidade que Trump se queixou que a imprensa está a ignorar um estudo que o coloca com um nível de popularidade nos 55%, um valor mais alto que a maioria das restantes sondagens, cita a Reuters.

“Não estou a contar. Estou apenas a dizer-vos. Vocês sabem, vocês são desonestos. Mas estou não estou a contar. Eu adoro isto. Estou a adorar fazê-lo”, garantiu o Presidente norte-americano.