Théo L., agredido pela polícia em França, saiu do hospital

Num vídeo publicado no Facebook, lembra que entrou em muito mau estado físico mas que conseguiu agora sair pelas próprias pernas.

Várias manifestações contra a brutalidade policial e em solidariedade para com Théo L. espalharam-se por França
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Várias manifestações contra a brutalidade policial e em solidariedade para com Théo L. espalharam-se por França LUSA/ETIENNE LAURENT

Théo L. o jovem francês brutalizado por quatro polícias e alegadamente violado por um deles com uma matraca, saiu na quinta-feira do hospital onde estava internado há cerca de duas semanas. 

Num vídeo publicado no Facebook, lembra que entrou em muito mau estado físico mas que conseguiu agora sair pelas próprias pernas. Agradeceu a todos os que o apoiaram.

Théo L., de 22 anos, foi abordado pela polícia no bairro onde vivia, Aulnay-sous-Bois, nos subúrbios de Paris, a 2 de Fevereiro, seria espancado e alvo de insultos racistas, acusou – quando chegou à esquadra, o chefe mandou-o internar de urgência tal era o seu estado. Segundo o relatório médico, tinha uma lesão de 10 centímetros no canal anal. Foi-lhe recomendado que ficasse 60 dias sem ir trabalhar.  

Em plena campanha eleitoral para as presidenciais de Abril e Maio, o caso tem ocupado os media. Entretanto, os distúrbios voltaram aos subúrbios de Paris, com detenções feitas pela polícia em vários pontos. No sábado, uma manifestação em solidariedade com o jovem Théo, com mais de duas mil pessoas, terminou com carros incendiados e 37 pessoas detidas.

Na noite de segunda para terça-feira, cerca de 25 foram detidos pela polícia, em localidades como Seine-Saint-Denis, a Norte de Paris, ou Yvelines, no Sul – isto depois de alguns episódios de violência, diz o Le Monde, que ouviu fontes policiais e oficiais, e depois de outras tantas detenções entre domingo e segunda-feira.

Bruno Le Roux tem apelado à calma, até porque estes episódios voltaram a lembrar os motins de 2005, quando vários carros e edifícios ficaram em chamas ao longo de três semanas de incidentes e o então ministro do Interior, Nicolas Sarkozy, declarou o estado de emergência. Aulnay-sous-Bois foi uma das cidades onde dispararam os motins.