Reportagem

Cavaco, o homem que se vê como um sortudo, quis prestar contas ao país

O antigo Presidente da República teve sala cheia no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, onde apresentou o seu livro.

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Miguel Manso
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Foi uma quinta-feira muito diferente daquelas em que se reunia com o ex-primeiro-ministro José Sócrates e com os outros primeiros-ministros com que se cruzou. Nesta, o antigo Presidente da República, Cavaco Silva, teve sala cheia, arrancou palmas no início e no fim. Já quanto a gargalhadas, só conseguiu um tímido burburinho na sala quando disse que a apresentação que o antigo reitor Braga da Cruz fez do livro superava a qualidade da obra.

Quinta-feira e outros dias, de Cavaco Silva, foi apresentado no final desta tarde, na sala Almada Negreiros do Centro Cultural de Belém, em Lisboa. O rio ao lado, recortado pela janela, a fotografia grande de Cavaco no livro, atrás dos oradores. Calor na sala, as cadeiras todas ocupadas, gente de pé. Não faltaram sociais-democratas de peso: Pedro Passos Coelho, Manuela Ferreira Leite, Maria Luís Albuquerque, Leonor Beleza.

Só um socialista, que não esteve presente, ocupou mais espaço: José Sócrates, um dos primeiros-ministos com quem Cavaco teve os encontros semanais, à quinta-feira, e sobre quem se esperam revelações de conversas em alturas polémicas. Encontros esses, com os primeiros-ministros, que o antigo Presidente justificou não poderem ficar de fora da história, porque sem esse relato a prestação de contas que quis fazer aos portugueses ficaria incompleta:“A revelação dessas quintas-feiras é fundamental”, defendeu Aníbal Cavaco Silva.

No início, o antigo reitor da Universidade Católica, Manuel Braga da Cruz, avisou: a obra é uma “prestação de contas”, não um “ajuste de contas”. Logo aqui a figura de José Sócrates começa a ocupar espaço, embora o nome do ex-primeiro-ministro nunca tivesse sido explicitamente referido na apresentação.

Braga da Cruz elencou vários momentos que fizeram parte do percurso político de Cavaco Silva, são muitos – somados os anos em que decidiu os destinos do país como primeiro-ministro e, depois, como Presidente da República, são duas décadas. Foram só elogios os que ouviu de Braga da Cruz, mesmo quando disse que foi o político que flexibilizou a legislação laboral, que lançou novas auto-estradas, que “empreendeu uma das maiores modernizações do país”. Cavaco ouve atentamente, o queixo ligeiramente levantado. Uma vez ou outra, bebe água. Braga da Cruz continua, e já sobre a fase em que a crise invadiu a vida dos portugueses: “Alertou, avisou, aconselhou.”

O antigo reitor até das conversas que Cavaco tinha debaixo de um pinheiro, e que fazem parte do que é narrado no livro, falou. Falou delas para dar força à metáfora de que Cavaco é como é, porque é um homem de raízes, disse. Com “capacidade de resistência”, que evitou que o envolvessem em “intrigas”, que “resistiu a campanhas difamatórias”. Cavaco agradeceu e voltou a agradecer as palavras.

Mas, e na sua habitual voz pausada, Cavaco não agradeceu só a Braga da Cruz. Agradeceu, claro, à sua mulher. Sem ela, não teria tido o percurso profissional e político que teve, afirmou. Mas foi para prestar contas aos portugueses que escreveu estas quase 600 páginas. Se não o fizesse, continuou, “ficava incompleto o conhecimento de um tempo complexo, bastante complexo da vida nacional" que foram os dez anos que passou na Presidência.

Cavaco fez ainda outros agradecimentos nesta quinta-feira de casa cheia. Até à vida que lhe “foi dada viver”. Falou, aliás, na sua passagem pela Presidência como “dádiva da vida”, falou si como “homem de sorte, de muita sorte, embora seja daqueles que diz que a sorte dá muito trabalho”. Agradeceu várias vezes aos portugueses que, depois de o terem tido 10 anos como primeiro-ministro, votaram nele para Presidente. E deixou uma garantia: a de que este é o primeiro acto público do período “pós-político” da sua vida e que será nesse período que vai ficar até ao fim.

A fila de autógrafos começa a formar-se na sala, onde estiveram ainda outros rostos da política nacional: a líder do CDS-PP, Assunção Cristas, o antigo Presidente da República Ramalho Eanes, António Pires de Lima, Marques Guedes, João de Deus Pinheiro, Couto dos Santos, Teresa Patrício Gouveia, Fernando Negrão, Teresa Leal Coelho, Teresa Morais; e Bagão Félix, entre outros.