Banco Europeu de Investimento quer crescer na América Latina

Países da União Europeia concentram 90% dos financiamentos do BEI.

Román Escolano, vice-presidente do BEI, apesentou os resultados da instituição nesta quinta-feira em Lisboa
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Román Escolano, vice-presidente do BEI, apesentou os resultados da instituição nesta quinta-feira em Lisboa LUSA/MIGUEL A. LOPES

Além de financiar projectos na região natural onde nasceu, o Banco Europeu de Investimentos (BEI) está presente noutras partes do mundo e uma das regiões para a qual olhar é a América Latina, onde o nível de empréstimos concedidos ainda é residual.

A instituição sediada no Luxemburgo, que tem como accionistas os Estados-membros da União Europeia, garantiu linhas de financiamento de 83.800 milhões de euros no ano passado, dos quais 90% para países comunitários, cerca de 75.370 milhões de euros.

A ideia de crescer na América Latina foi sublinhada em Lisboa nesta quinta-feira pelo vice-presidente do BEI, Román Escolano, depois de questionado em conferência de imprensa se, com as políticas proteccionistas prometidas pelo novo Presidente norte-americano, Donald Trump, haverá alguma alteração por parte do BEI para acautelar o impacto que as empresas poderão sentir se tiverem de lidar com um mercado norte-americano mais restritivo.

Sem comentar opções políticas concretas e sublinhando que, em termos comerciais, não se espera um impacto directo na actividade do BEI, Román Escolano enfatizou que “é importante para a Europa olhar para a América Latina neste momento particular”. Desenvolver mais actividade na região, nomeadamente com o México, é também vantajoso para os países europeus, sustentou, quando questionado concretamente sobre o crescimento naquela economia.

Para os países de fora da União, o valor dos projectos financiados soma 83.800 milhões de euros em empréstimos. E é ainda muito escasso o dinheiro emprestado para investimentos na América Latina. Os dados disponibilizados pelo BEI, onde o financiamento concedido para esta região está discriminado, aparecem agregados ao grupo onde estão também os financiamentos da Ásia e da Ásia Central. Somado, o financiamento não chegou a mil milhões de euros, ficando-se por 980 milhões, ou seja, 1,2% do total.

Os empréstimos do BEI a projectos em Portugal totalizaram 1780 milhões de euros no ano passado, representando 2% do financiamento total da instituição.

Para financiar projectos, o BEI recorre a recursos próprios e aos mercados de capitais, o que lhe permite avançar com a concessão de empréstimos e garantias para apoiar desde PME, start-ups a projectos públicos de investimentos em infra-estruturas, inovação ou na área ambiental. Os empréstimos podem ser directos (havendo um limite de financiamento do BEI de 50% do custo total do projecto, complementado por financiamento de outros investidores) ou intermediados (quando o dinheiro é garantido aos bancos comerciais que vão depois financiar os projectos).