Uma série para descobrir o design em tudo o que nos rodeia

Abstrato: A Arte do Design é uma série documental da Netflix que apresenta os bastidores do design através de oito episódios protagonizados por reconhecidos nomes da área.

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Se pararmos para olhar o mundo que nos rodeia com atenção, verificamos que o design está em cada passo que damos. Abstrato: A Arte do Design é a mais recente série documental da Netflix e leva-nos a percorrer o processo de criação de várias personalidades a partir de oito episódios que focam, cada um, um pensador criativo da área: a designer gráfica Paula Scher; o designer da Nike, Tinker Hatfield; o designer de automóveis Ralph Gilles; a designer de interiores Ilse Crawford; a cenógrafa Es Devlin; o ilustrador Christoph Niemann; o fotógrafo Platon e o arquitecto Bjarke Ingels.

Disponibilizada mundialmente a 10 de Fevereiro, a série é realizada por Morgan Neville, produtor de documentários como Johnny Cash’s America ou Keith Richards: Under The Influence, e por Elizabeth Chai Vasarhelyi, realizadora de Youssou Ndour: I Bring What I Love ou A Normal Life. “Como cineasta, sinto que sou também um designer. Descrevi o design a alguém como sendo arte feita para clientes. Estás sempre a tentar ligar a forma e a função, o plano e a inspiração”, explica Morgan Neville, entrevistado pelo Architecture Digest.

A série documental, que se estreou em Janeiro no Sundance Film Festival, convida os espectadores a explorar o design através de uma sucessão de perfis de figuras a ele ligadas. Em cada episódio, estas personalidades falam sobre o que as inspira, os seus hábitos e as suas inseguranças. “Esta série procura entrar na mente de alguns dos melhores designers do mundo e desconstruir o seu processo criativo de uma forma verdadeira e honesta para mostrar ao público a forma como o mundo à sua volta é modelado”, afirma o produtor executivo Dave O’Conner, citado pela Wired. Os oito episódios recorrem, sobretudo, às vozes dos criadores para levantar o véu sobre os processos criativos por trás dos objectos e espaços por si idealizados e, ocasionalmente, aparecem testemunhos de especialistas, colegas de profissão ou familiares.

O primeiro episódio centra-se no percurso da designer gráfica Paula Scher, cuja carreira se ergueu quando, em 1976, desenhou a capa do disco de estreia Boston, da banda com o mesmo nome. O álbum mostrava um conjunto de naves espaciais em forma de guitarra a escapar visivelmente de um planeta Terra a explodir. Apesar de ter sido um sucesso de vendas, hoje, Scher caracteriza aquele trabalho como “estúpido”. A New Yorker assinala que esse é um momento que nos faz questionar sobre “o potencial espaço entre o design que é bom e o design que é bem-sucedido”.

Além disso, a série mostra que o design não é apenas “um exercício de estética ou estilo superficial”, mas antes uma ferramenta que “trata de resolver problemas e moldar experiências”.

Este não é o primeiro documentário feito sobre o design – Helvetica, de Gary Hunstwit é provavelmente o melhor exemplo de uma narrativa que mostra o esqueleto por trás dos produtos que consumimos e das experiências de que usufruímos. “Quando as pessoas entram [num sítio], não sabem porque é que se sentem de uma determinada maneira”, opina Ilse Crawford. “Mas na verdade, tudo foi planeado”. E se é verdade que Abstrato: A Arte do Design eleva o criador e a criação ao mesmo estatuto, a New Yorker diz que muito fica por explorar, como “o design de interacção e o design social” e sugere – poderá haver ainda conteúdo para uma segunda temporada.