Animação chega em Março a Lisboa numa Monstra à italiana

A 16.ª edição do festival, que decorre de 16 a 26 de Março, terá várias estreias mundiais – entre as quais uma secção Triple X –, vidrões animados, realidade virtual e candidatos aos Óscares.

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Hino do Coração
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Louis e Luca
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Window Horses
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Vingança
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Carnaval
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A Minha Vida de Courgette
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Pinóquio
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Molly Monster
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Louise à Beira Mar

A 16.ª edição da Monstra – Festival de Animação de Lisboa, que decorrerá de 16 a 26 de Março, tem Itália como país convidado e realizadores consagrados como Enzo D'Alò ou Bruno Bozzetto estarão presentes com filmes e masterclasses  e o agora candidato ao Óscar Claude Barras vem acompanhar a estreia portuguesa do nomeado A Minha Vida de Courgette. "É um festival sob o signo do olhar", disse o director do festival, Fernando Galrito, e com destaque para "a profundidade muito grande" do olhar italiano, além de novidades e pistas para o futuro como vários eventos em torno da realidade virtual e o piscar de olho aos adultos com a secção Triple X. 

Na apresentação da programação, que decorreu na manhã desta quinta-feira no Instituto Italiano de Cultura, em Lisboa, Galrito destacou várias iniciativas do evento, da retrospectiva sobre Pinóquio na Cinemateca (que irá do clássico de 1940 de Walt Disney até ao mais recente filme, por Enzo D'Alò) à competição de longas, curtas e curtíssimas e à exibição de 516 filmes (depois de um número recorde de candidaturas, 2380).

Com 57 curtas (seis portuguesas) e 30 longas (outras seis) a concurso, haverá três estreias mundiais nesta Monstra. O Hino do Coração, de Tatsuyuki Nagai, abre a competição em que participam também a courgete de Barras, Ludovigo e Luca  A Grande Corrida do Queijo, de Rasmus A. Sivertsen, Louise à Beira-Mar, de Jean-François Laguionie, Molly a Monstrinha, de Ted Sieger, Michael Ekblad e Matthias Bruhn, e Window Horses  A Epifania Poética Persa de Rosie Ming, de Ann Marie Fleming. No campo das curtas, 13 portugueses disputam o Prémio Vasco Granja/SPA.

O festival terá ainda espaço para várias retrospectivas, entre as quais a do trabalho de Gianluigi Toccafondo (autor do póster da Monstra), que abre o festival, bem como os tributos a Fyodor Khitruk, "um dos maiores mestres do cinema de animação russo e mundial", e Eduard Nazarov. Voltarão ainda Persépolis, Chronopolis e Max e Companhia e o clássico do anime e da manga Ghost in The Shell: The New Movie regressa num novo filme (e antes da estreia da versão de acção real com Scarlett Johansson), realizado por Kazuchika Kise.

Olhando para a frente, e para o presente – "a realidade virtual e a animação estão no top, toda a gente faz e quer aprender a fazer", sublinha o apaixonado director do festival –, a Monstra recebe várias iniciativas e um painel especial dedicado à realidade virtual. Aprender como animar com a técnica num workshop (360VR Guerrilha Filmmaking) ou debater o seu potencial e experimentar a tecnologia será possível num painel no dia 18 de Março no São Jorge (inscrições, no site da Monstra, já quase esgotadas), com a participação de Rachid El Guerrab da Google Spotlight Stories), Tim Ruffle (realizador que colabora com os estúdios Aardman) ou o português Rui Guedes (da Ground Control Games). 

Este ano, a Monstra continua com epicentro no Cinema São Jorge, em Lisboa, mas passará também por outras salas como o Cinema Ideal ou o Cinema City em Alvalade. O festival, no âmbito da sua parceria à italiana, vai também cruzar-se com a Festa do Cinema Italiano 8 1/2 e receber um total de 80 curtas e oito longas de origem italiana. A organização do evento tinha já anunciado em Janeiro a programação da secção infantil e familiar Monstrinha, em que Itália era já o país em destaque. Da Monstrinha fazem parte, entre outros títulos, o candidato ao Óscar de Melhor Filme de Animação A Minha Vida de Courgette (França), e a nomeada para o Óscar de Melhor Curta-Metragem de Animação Blind Vaysha

A Monstra descreve-se como um festival "que lança modas", sorri Galrito, e quer deixar uma marca no espaço público e prendas para os espectadores. Por isso, seis vidrões de Lisboa vão ter códigos QR que, quando na mira dos smartphones, revelarão que as suas pinturas são animadas – e darão "prendas" aos primeiros a encontrá-los. A Ovelha Choné vai passar ao ar livre no Largo do Intendente (3 de Março às 22h) e todas as crianças (em 2016 foram 18 mil a passar pela Monstra) terão direito a um zootrópio feito de cartolina e um lápis Viarco, por exemplo. O músico Tim é o comissário da secção ClipAnim e Bill Plympton trará o seu novo filme, Vingança, a Lisboa.

Pela primeira vez depois de uma tentativa em 2016, a Monstra terá no Ideal uma sessão dedicada à animação para adultos. Triple X é para maiores de 18 mas não toca a pornografia, prometeu Fernando Galrito, antes "uma sensualidade muito bonita".

A média de espectadores do festival tem vindo a aumentar e, graças também às suas actividades junto das escolas e presenças internacionais, em 2016 reuniu 57 mil espectadores.