As novidades da Arco estão entre Madrid e Lisboa

A Arco Lisboa vai ter um espaço especial dedicado às novas galerias já este ano. Em 2018, a feira de Madrid não vai ter um país convidado, mas vai ser dedicada a um tema.

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O director da Arco, Carlos Urroz, momentos antes da apresentação no Palácio de Palhavã, em Lisboa LUSA/MÁRIO CRUZ
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Carlos Urroz , acompanhado pelo ministro conselheiro da Embaixada de Espanha em Portugal, Álvaro Sebastián de Erice y Gómez-Acebo, pelo director geral do IFEMA - Instituição de Feiras de Madrid, Eduardo López-Puertas e Vera Cortês LUSA/MÁRIO CRUZ
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Carlos Urroz, o director da Arco, já tinha dito no ano passado que o modelo do país convidado para a feira de arte de Madrid podia estar um pouco esgotado. Eduardo López-Puertas, o director-geral do IFEMA, que organiza a feira, avançou esta terça-feira ao PÚBLICO que em 2018 não vai mesmo haver país convidado.

Eduardo López-Puertas, o novo director do IFEMA que se estreia este ano na Arco, explicou que o modelo do país convidado que voltou a ser usado este ano com a Argentina está a ser analisado, depois de no ano passado, no 35.º aniversário da feira, ter havido todo um programa especial que prescindiu do formato habitual que tem dedicado um espaço do recinto às galerias de um país. “No próximo ano não vai haver um país convidado. Vamos ver alternativas”, afirmou em Lisboa.   

A feira, completou Carlos Urroz, vai organizar-se à volta de um tema, que está a ser estudado pelos curadores, mas ainda é cedo para falar do próximo ano, uma vez que a conferência de imprensa que teve lugar na Embaixada de Espanha, em Lisboa, serviu para apresentar a 36.ª edição da Arco Madrid, que decorre de 22 a 26 de Fevereiro, e as 13 galerias portuguesas que vão estar em Madrid a partir da próxima semana. Segundo López-Puertas, o modelo à volta de uma cidade também é uma possibilidade no futuro.

Em Madrid, a presença portuguesa vai ter mais duas galerias do que em 2016, como já tinha sido anunciado. Há duas que participam pela primeira vez na feira, Madragoa e Pedro Alfacinha (Lisboa), que se juntam à repetente Kubik, todas na secção Opening dedicada às galerias mais jovens, comissariada por Juan Canela (Espanha) e Stefanie Hessler (Alemanha).

Mas Carlos Urroz, que também não quis adiantar pormenores sobre a segunda edição da Arco Lisboa, prevista para Maio, também confirmou ao PÚBLICO que a feira de Lisboa vai ter uma secção Opening com curadoria de João Laia.

A Arco da recuperação

No programa geral da Arco Madrid, seleccionado por um júri internacional em que participa pela primeira vez a galerista portuguesa Vera Cortês, vão estar dez galerias: 3+1, Baginski, Cris­tina Guerra, Filomena Soares, Graça Brandão, Mário Sequeira, Múrias Centeno, Pedro Cera, Quadrado Azul e a própria Vera Cortês. Ao todo, Portugal vai ter mais galerias do que a Argentina, que traz 12 galerias, todas de Buenos Aires, num programa com curadoria de Inés Katzenstein. Ao todo, a feira este ano terá 200 galerias de 27 países.

Na conferência de imprensa na embaixada, tal como já tinha dito em Madrid, Carlos Urroz defendeu que esta é a Arco “da recuperação”. Por causa da confiança do mercado internacional na Arco, com um maior número de candidaturas, mas também pelo regresso de galerias como a Lisson e Hauser & Wirth, Maruani Mercier, Tanya Bonakdar, Alexander and Bonin, Nara Roesler, algumas que voltam depois do programa especial dedicado à própria história da Arco. Urroz diz que há também a promessa de alguns museus regionais espanhóis voltarem às compras depois da crise.

Sinal de recuperação são também os projectos especiais, que voltaram à Arco depois de alguns anos de ausências. Cerca de 15 galerias terão um espaço à parte, além do stand normal, para mostrar peças de grande dimensão ou mais espectaculares, a pensar no cliente institucional. A brasileira Nara Roesler vai mostrar Julio Le Parc, um histórico argentino ligado à Op art e à arte cinética, enquanto a suíça Peter Kilchmann vai mostrar a dupla cubana Los Carpinteros, que se estreiam com uma individual em Lisboa esta semana com a inauguração das Carpintarias de São Lázaro. A espanhola Travesía Cuatro vai apresentar aqui o trabalho do português Alexandre Estrela.

Um programa novo, Diálogos, com comissariado de María Corral, Lorena Martínez Corral e Catalina Lozana – curadoras com fortes vínculos à arte portuguesa – não apresenta, no entanto, nenhum artista português. Seleccionou doze galerias, que põem em diálogo dois artistas, adaptando um programa que teve sucesso na edição especial do ano passado.

Prémio A para a EDP

Eduardo López-Puertas destacou ainda que a Fundação EDP vai receber um dos Prémios A para o Coleccionismo, atribuído pela Fundação Arco. Quem o vai receber é Miguel Coutinho, director da fundação, tendo Urroz destacado o novo museu da EDP, o MAAT, como “um símbolo da cidade”.

Nas conferências da feira, os Encontros Profissionais têm João Fernandes, subdirector do Museu Rainha Sofia (Madrid), a dirigir o VI Encontro de Museus da Europa e da América Latina, enquanto o Fórum conta com a participação de  Miguel Amado, curador do Middlesbrough Institute of Modern Art (Grã-Bretanha), numa sessão dedicada à Função Social da Arte e das suas Instituições. 

Notícia alterada a 16 de Fevereiro: corrige a ortografia de Baginski