Donald Trump, o desportista

Enquanto estudante praticou futebol americano, basebol, luta e futebol. Apregoa ser um golfista acima da média e até já teve a tocha olímpica na mão.

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Donald Trump a levar a tocha olímpica... DR
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...a jogar basebol... DR
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...e na equipa de futebol DR

Presidente dos EUA, utilizador frenético da rede social Twitter e... desportista? Sim, este é um retrato possível de Donald Trump. O 45.º Presidente dos EUA tem no seu percurso de vida algumas ligações ao desporto que não se limitam a ter praticado futebol, entre outras modalidades, enquanto estudava. O actual inquilino da Casa Branca também já teve na mão a tocha olímpica, e, no início dos anos 1990, foi anfitrião de um sorteio que ficaria ligado à carreira de Alex Ferguson.

O mundo do desporto não tem ficado indiferente a Trump. A construção de um muro na fronteira com o México é uma das medidas mais controversas defendidas pelo novo Presidente – e que os alemães do Borussia Dortmund contestaram com uma foto da famosa bancada sul do seu estádio, popularmente designada como “parede amarela”, acompanhada de seis palavras: “O único muro em que acreditamos”. O internacional mexicano Rafa Márquez também se manifestou, com o vídeo de um golo que marcou quando representava o Barcelona e a frase “Não há muro capaz de deter-nos se acreditamos em nós mesmos”.

A relação de Trump com o desporto remonta aos tempos de estudante. O agora Presidente foi-se dedicando ao futebol americano, basebol, luta e futebol – aquele que nos EUA designam por “soccer”. Um ex-colega chegou a garantir que Trump podia ter sido atleta profissional se quisesse: “Era física e mentalmente dotado”, afirmou ao portal Business Insider. Um ex-atleta deste calibre poderia ser uma vantagem para a candidatura de Los Angeles à organização dos Jogos Olímpicos de 2024, mas o comité olímpico dos EUA já mostrou o seu cepticismo. Em tempos Trump até transportou a tocha olímpica, durante o percurso da chama em 2004, antes dos Jogos de Atenas. “No contexto dos Jogos da Era Moderna, a chama olímpica representa os valores positivos que a Humanidade sempre associou ao fogo”, pode ler-se no site oficial do Comité Olímpico Internacional, onde se acrescenta: “Os critérios de selecção dos portadores da tocha [de Atenas 2004] basearam-se na escolha de pessoas que desempenharam um papel importante na sua comunidade através do desporto, educação e cultura, que inspiraram outros e personificaram os valores dos Jogos Olímpicos e os ideais do movimento olímpico.”

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Trump na equipa de futebol DR

Proprietário de numerosos campos de golfe, Trump apregoa ser um golfista acima da média – embora algumas personalidades que já jogaram com ele, incluindo o actor Samuel L. Jackson, contestem a veracidade dessas afirmações.

No que ao futebol diz respeito, chegou a ser noticiado o interesse de Trump em adquirir o San Lorenzo, equipa argentina que ficou célebre por ser o clube do coração do Papa Francisco. Através do Twitter, o então candidato presidencial negou ter essa intenção: “Uma mentira que eu esteja a tentar comprar uma equipa de futebol na Argentina, é falso. Nem nunca ouvi falar da equipa – não há interesse!”

Mas o episódio mais bizarro a ligar Trump ao futebol aconteceu em 1991, quando protagonizou o sorteio dos quartos-de-final da Taça da Liga inglesa. O sorteio foi feito no programa televisivo que era apresentado por Jimmy Greaves e Ian St John, dois ex-futebolistas internacionais por Inglaterra e Escócia, respectivamente, e este último contou ao The Guardian como tudo aconteceu. A dupla viajou para Nova Iorque para transmitir o sorteio da qualificação para o Mundial 1994, que ia realizar-se nos EUA – mas esse não era o único objectivo da viagem. Havia também o sorteio dos quartos-de-final da Taça da Liga para fazer: “Bob Patience [o produtor] lembrou-se que seria boa ideia fazê-lo na Trump Tower, por ser um edifício icónico de Nova Iorque”, lembrou Ian St John.

A então secretária de Donald Trump era inglesa e estabeleceu a ligação. “O plano era fazermos uma entrevista, mas o Bob teve outra grande ideia – vamos perguntar ao Donald se quer participar no sorteio. Ele concordou, apesar de claramente não perceber nada de futebol. Creio que aquilo que atraiu Donald foi estar num programa televisivo com grande audiência na Grã-Bretanha. Viu-o como uma oportunidade de promover-se”, resumiu o ex-futebolista escocês.

Donald Trump sorteou as equipas visitantes: Norwich City, Nottingham Forest/Southampton, Middlesbrough e Manchester United. E este foi um sorteio marcante para a carreira de Alex Ferguson enquanto treinador dos “red devils”. Meses depois o Manchester United bateu o Nottingham Forest na final, naquele que foi um dos primeiros troféus de Alex Ferguson em Old Trafford.

Planisférico é uma rubrica semanal sobre histórias de futebol e campeonatos periféricos