Crítica

CSI Boston

A caça aos bombistas da maratona de Boston contada em tom desenvolto de filme B, sem cair no facilitismo.

Fotogaleria
Fotogaleria
Fotogaleria
Fotogaleria

Ainda há seis meses Peter Berg confirmava a sua eficácia com o francamente subvalorizado Horizonte Profundo, e aqui o temos a aplicar a fórmula resolvente de profissionalismo inteligente que tem vindo desenvolver a outro caso verídico: a caça aos bombistas da maratona de Boston em 2013, contada em tom de processual policial acompanhando a progressão da investigação nas ruas.

Berg tem vindo a especializar-se nestas odes discretas ao “homem comum” americano, à “arraia miúda” da polícia e dos bombeiros que raramente fica com os louros, contadas com uma apreciável secura e sem cair no facilitismo. Ainda assim, Patriots Day é um bocadinho mais maniqueísta do que é habitual no realizador.

Percebe-se que assim o seja – os acontecimentos estão demasiado frescos na memória americana e o actual panorama político não dá azo a grandes aventuras – mas o traço dessa vontade de fazer um filme “politicamente correcto” é por vezes demasiado grosso, ao limitar os bombistas a vilões opacos e incompreensíveis, ao encerrar tudo com uma “coda” à beira do sentimentalismo. O traço grosso pode desperdiçar alguma da inteligência do que ficou para trás, mas não afecta em nada a eficácia angustiante das cenas na rua Boylston nem a energia desembaraçada e nervosa da “investigação”.

E Berg tem a inteligência suficiente para ancorar o filme em alguns dos mais sólidos actores de composição do cinema americano contemporâneo (Kevin Bacon, John Goodman, J. K. Simmons) e numa banda-sonora em “contramão” de Trent Reznor e Atticus Ross. Nos velhos tempos, seria um óptimo filme B ou complemento de programa, e isto é escrito como um elogio.