Avenida Paulista leva novos sons brasileiros ao palco do São Luiz

Em duas noites consecutivas, Avenida Paulista levará ao palco do São Luiz, em Lisboa, cinco vozes brasileiras: Momo, Dom La Nena, Márcia Castro, Mariana Aydar e Dani Black. Sexta e sábado, às 21h.

Momo (Gonçalo Frota)
Momo (Gonçalo Frota) NUNO CARVALHO
Dom La Nena
Dom La Nena JEREMIAH
Márcia Castro
Márcia Castro DR
Dani Black
Dani Black PAULO BUENO
Mariana Aydar
Mariana Aydar DR
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Cinco anos após a primeira edição, a Avenida Paulista regressa ao palco do Teatro São Luiz, agora integrada na programação de Lisboa, Capital Ibero-Americana de Cultura 2017. Se em 2011 ali estiveram, na noite de 14 de Setembro, Mariana Aydar, Tulipa Ruiz, Thiago Pethit e Raf Vilar, agora o espectáculo foi dividido por duas noites, sempre às 21h. Na primeira, esta sexta-feira, terá Dom La Nena com Momo na primeira parte. A segunda, no sábado, abre com Márcia Castro, tendo na segunda parte Dani Black com Mariana Aydar, a presença mais aplaudida de 2011.

Começando por Momo. De seu verdadeiro nome Marcelo Frota, nascido em Belo Horizonte, Minas Gerais, em 1979, este cantor e compositor brasileiro está há cerca de dois anos a viver em Lisboa. Elogiado por nomes como Patti Smith ou por revistas como a Down Beat, o seu mais recente disco, Voá, a chegar às lojas, será parcialmente apresentado no São Luiz. Produzido por Marcelo Camelo e com parcerias com o irmão deste, Thiago, e com Rita Redshoes, tem num dos temas, Alfama, a participação vocal de Camané, que se tornou seu amigo. “Uma coisa decisiva, neste disco, é o repertório”, diz Momo. “Porque imprime um outro lado meu, o de compositor, menos introspectivo, um pouco mais solar.” No São Luiz, terá consigo um baterista, Filipe Basto (também mineiro, que estudou percussão sinfónica em Minas Gerais) e um guitarrista, Nuno Carvalho, que foi o autor das fotografias para Voá. “Vou apresentar algumas canções do disco novo e uma de Cadafalso, o meu disco anterior.” Concerto maior, haverá mais para diante.

Dom La Nena, que Portugal já viu e aplaudiu várias vezes, decidiu terminar aqui a digressão do disco Soyo, que já leva dois anos. O disco foi co-produzido por Marcelo Camelo, e este é um ponto de proximidade com Momo. Cantora e violoncelista, gaúcha de Porto Alegre, onde nasceu em 1989, Dom (abreviatura de Dominique Pinto, que ganhou a alcunha de “La Nena” quando estudou na Argentina) tocará, como sempre, sozinha. “Canto, faço um loop de violoncelo, outro de bateria... Este é o concerto final desses dois anos de estrada, incluindo canções do Ela, o meu primeiro disco, do EP Golondrina, e do Soyo, que nasceu em Lisboa e aqui vai ter o seu desfecho. Mas nada do próximo disco, o que vem aí. Porque estou fechando um ciclo, não estou abrindo.” O novo disco de Dom La Nena, que já está a ser gravado, “é muito em torno do violoncelo e da voz mas será mais experimental do que os anteriores. Será mais eléctrico, mais pop.” Sairá em 2018.

O que pensa La Nena de Momo? “Adoro muito lindo o trabalho dele, tem uma voz única, muito doce, melancólica. Me identifico muito, acho que tem um grande talento na música brasileira.”

Parcerias inéditas

A noite de sábado abre com Márcia Castro. Baiana de Salvador, nascida em 1979, mudou-se para São Paulo em 2008 integrando-se aí na cena musical paulista. Com vários discos gravados desde a sua estreia com Pecadinho, em 2007, a sua apresentação em Lisboa deverá basear-se nos discos mais recentes, como De pés no chão (2012), Das coisas que surgem (2014), ou o single Cavalo (2015), uma parceria sua com o cantor, compositor e produtor Luciano Salvador Bahia.

Na segunda parte, a apresentação será em duo. Mariana Aydar e Dani Black, ambos paulistas, ela nascida em 1980 e ele em 1987, prepararam juntos este espectáculo. Os seus discos mais recentes, Pedaço Duma Asa (de Mariana) e Dilúvio (de Dani) foram ambos lançados em 2015 (o segundo tem já uma versão em preparação, em CD/DVD). Ouviremos temas de ambos, mas mais do que isso. Dani explica: “Já éramos muito amigos, mas de há uns tempos para cá ela começou a cantar músicas minhas e tornámo-nos mais próximos. Então surgiu a ideia de criar um espectáculo juntos. Portugal foi a oportunidade perfeita. Quando surgiu este convite, achámos maravilhoso.”

Que espectáculo será este? “Tem coisas dos discos dos dois e coisas que fizemos juntos, com uma estética pensada para este show. Teremos connosco um trio com sanfona, baixo acústico, guitarras, bateria.” Mariana Aydar, por sua vez, diz: “Vamos fazer parcerias, sim, e também tocar coisas dos nossos discos mais recentes. O meu, Pedaço Duma Asa, é um disco só com composições do Nuno Ramos, grande artista plástico e grande compositor. É um projecto muito especial na minha carreira. Mas vou lançar outro disco ainda este ano. As minhas novas composições estão nascendo com uma veia mais nordestina e o disco irá por esse caminho.”