Metro espera ganhar 20% de clientes com novas linhas no Porto e em Gaia

Ministro do Ambiente anuncia esta terça-feira propostas de investimentos de 287 milhões de euros na linha D (Amarela) e na nova linha G (Rosa)

A estação São Bento II vai ligar-se à actual por um túnel pedonal
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A estação São Bento II vai ligar-se à actual por um túnel pedonal Rita Franca

A empresa Metro do Porto espera atrair mais 12 milhões de clientes ano com os investimentos no prolongamento da Linha D (Amarela) em Gaia e na construção de uma nova linha, a G (Rosa), entre São Bento e a Casa da Música, no Porto. O Ministro do Ambiente, Matos Fernandes, apresenta esta terça-feira, no Porto, a proposta que o Governo, enquanto accionista maioritário da Metro, quer discutir no conselho de administração desta empresa pública, e que implica um valor global de 287 milhões de euros.

Porto e Gaia são, como se esperava, os concelhos contemplados com novos investimentos na rede de metro do Porto. Segundo o estudo de procura estrutural que elaborados pelo CITTA - Centro de Investigação do Território, Transportes e Ambiente, do Departamento de Engenharia Civil (DEC) da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), as duas linhas em cima da mesa podem atrair 30 mil clientes em dia útil à rede, o que perfaz um acréscimo de 12 milhões de viagens a acrescentar às 58 milhões realizadas anualmente no sistema de metropolitano da região.

A tutela e a empresa concordaram que as novas linhas a construir cumprissem critérios de sustentabilidade económica – servindo zonas com mais de 5000 habitantes/km2, por exemplo -  e, este acréscimo de 20%, garante, a concretizar-se, que as receitas geradas nestas duas “linhas” vão superar os custos de operação previstos. Neste momento, a empresa tem já um comportamento positivo do ponto de vista operacional, mas continua vergada, nos seus resultados anuais, ao peso dos encargos com um passivo de cerca de três mil milhões de euros.  

Segundo os dados apurados pelo PÚBLICO, os dois investimentos propostos consomem quase todos os 290 milhões de euros disponibilizados para a expansão da rede de metro do Porto, nesta fase. A nova Linha Rosa, com uma extensão de 2,746 quilómetros, e toda ela em túnel, tem um valor estimado de 181 milhões. Implica a construção de estações na Casa da Música, Galiza, Hospital de Santo António e S. Bento II, sendo os dois novos términos ligados às estações já existentes no tronco comum (linhas A, B,C, E) e na Linha D por túneis pedonais.

Já o prolongamento da Linha D em Gaia permitirá estender o serviço do metro a dois grandes geradores de tráfego no concelho, o Hospital Santos Silva e a zona habitacional de Vila D’Este, que terão, ambos, estações dedicadas. Neste caso a linha ganhará mais 3,2 quilómetros de extensão em via dupla, integrando três novas estações (a primeira delas subterrânea, ficará perto da RTP), um viaduto com cerca de 600 metros e um túnel com cerca de 800 metros antes de um último troço ao nível do solo.

Pelo que o PÚBLICO conseguiu apurar, o traçado inicial desta extensão desenvolve-se em viaduto de forma a permitir o cruzamento sobre a A1 e a EN1, junto a Santo Ovídio, entrando depois a linha em túnel até às proximidades da Rua Conceição Fernandes, prosseguindo a partir daqui á superfície até Vila d’Este. Os 106 milhões de euros de investimento incluem a construção de uma ramificação de acesso ao parque de material circulante a construir nas imediações, no troço entre as estações Hospital e Vila d’Este.

Depois de aprovadas pelo conselho de administração, no qual têm assento administradores não executivos representantes da Área Metropolitano do porto, o accionista minoritário, a Metro do Porto vai ter ainda de desenvolver os projectos de execução de cada uma das linhas. Ao contrário do que aconteceu na primeira fase, esta tarefa será realizada internamente, seguindo-se ainda um período para estudos de impacto ambiental. O concurso público para a construção das novas linhas deve ser lançado no final do primeiro semestre de 2018, iniciando-se a obra em 2019. A duração prevista para a construção das duas novas linhas, que decorrerá parcialmente em simultâneo, é de três anos.