Em Coimbra, a escola José Falcão continua à espera de obras

Edifício fez 80 anos em Outubro e nunca foi alvo de intervenção de fundo. Alunos levam mantas durante o Inverno.

Sergio Azenha
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Sergio Azenha

Baldes para conter infiltrações, tectos e pilares com fragmentos a cair, azulejos que faltam nas paredes compõem parte do cenário que se pode encontrar ao percorrer os corredores e salas da escola José Falcão. O estabelecimento de ensino do centro de Coimbra conta com cerca de 850 alunos do terceiro ciclo e ensino secundário e a sua direcção tem vindo a pedir a intervenção do Estado para recuperar o edifício.

Manuel Providência está no 12º ano, é da associação de estudantes da José Falcão e conta que as alturas mais complicadas para os alunos são quando o termómetro desce ou sobe muito. As últimas obras mais substanciais, recorda o director da escola, Paulo Ferreira, aconteceram na década de 90. “A escola é perfeitamente climatizada: quente no Verão e fria no Inverno”, graceja.

As queixas dos alunos relacionam-se principalmente com o mau isolamento e com as infiltrações, explica Manuel Providência. O estudante diz que, durante o Inverno, o frio combate-se “com mantas ou com camadas de roupa adicionais”. “Nota-se que as pessoas vêm com o vestuário reforçado”, reforça. Não há um sistema de aquecimento central, que vai sendo remediado com aquecedores eléctricos que “não podem estar ligados durante muitas horas”.

O director sublinha que as canalizações e o sistema eléctrico também precisam de ser renovadas. No pavilhão os problemas multiplicam-se. “Já presenciei bocados de tecto a cair a meio das aulas, é muito perigoso. Há infiltrações e brechas nas janelas” pelo que “a disposição dos alunos para praticar educação física nessas condições é muito reduzida”, principalmente ao início da manhã, expõe Manuel Providência.

Recuperação sem data

Em Dezembro, o ministério da Educação disse ao PÚBLICO que estava a “desenvolver esforços que permitam proceder ao investimento na referida requalificação”, sem no entanto avançar com datas. O secretário de Estado da Educação João Costa já tinha prestado informação semelhante quando se deslocou à escola, em Outubro, a propósito da comemoração dos 80 anos do edifício.

O director do estabelecimento refere mesmo que a única coisa que se alterou desde então é a atenção mediática de que a escola tem sido alvo. Do ministério afirma que não recebeu nenhum contacto, pelo que não tem desenvolvimentos sobre uma eventual intervenção no edifício.

Nessas oito décadas de história, a José Falcão nunca foi alvo de uma intervenção de fundo, algo que esteve para acontecer em duas ocasiões, mas a escola acabou por ser retirada do programa de modernização da Parque Escolar e da requalificação de 200 escolas financiada por fundos comunitários do quadro Portugal 2020.

As intervenções pontuais para fazer face a situações mais urgentes são asseguradas pela escola com receitas próprias, esclarece Paulo Ferreira. Cansados de assistir à degradação progressiva do edifício, os pais dos estudantes lançaram em meados de Dezembro uma petição a pedir uma intervenção urgente na José Falcão.

A iniciativa da Associação de Pais e Encarregados de Educação da Escola Secundária José Falcão contava com cerca de 1000 subscrições quando o PÚBLICO visitou as instalações da escola, na pausa lectiva do Natal. A petição conta agora pouco mais de 3400 assinaturas. Precisa de mais 600 para levar a discussão à Comissão Parlamentar da Educação e Ciência.

No texto que introduz a petição, os pais afirmam que o estado da escola põe em causa o “bem-estar e a segurança” dos alunos que ali estudam e sublinham o “estado de degradação evidente” da instalações.