Trump ameaça cortar fundos a universidade que retirou convite a orador de extrema-direita

Depois de várias centenas de alunos protestarem contra a presença do editor de um site de extrema-direita, a universidade cancelou a conferência que tinha programada. O Presidente dos EUA não gostou.

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Em sete tweets seguidos e em apenas 11 horas, Donald Trump atacou dois Estados e uma universidade norte-americana. Depois de reprovar um acordo entre os Estados Unidos e a Austrália e criticar o acordo sobre energia nuclear com o Irão, Trump virou-se para a Universidade da Califórnia.

Em causa está uma conferência que contaria com a presença de Milo Yiannopoulos, editor do site Breitbart News, que apela a ideais da extrema-direita e que foi fortemente criticada pelos alunos. Centenas de alunos da Universidade da Califórnia, em Berkeley, protestaram contra a palestra. Os protestos começaram na quarta-feira de forma pacífica, mas a tensão acabou por escalar e houve vidros partidos, episódios de vandalismo e pelo menos um incêndio, reporta a BBC. As autoridades tiveram de recorrer a gás pimenta para encerrar o campus universitário, mas não houve registo de feridos ou detenções. O evento acabou por ser cancelado.

Quando tomou conhecimento da decisão, o Presidente dos EUA ameaçou cortar o financiamento da universidade, alegando tratar-se de um atentado à liberdade de expressão, defendendo “os pontos de vista diferentes” que Yiannopoulos traria à comunidade universitária.

“Se a UC (Universidade da Califórnia) Berkeley não permite a liberdade de expressão e exerce a violência contra pessoas inocentes que têm pontos de vista diferentes – NÃO HAVERÁ FUNDOS FEDERAIS?”, escreveu Donald Trump.

A reacção ao “ataque à liberdade de expressão” surge cerca de uma semana depois de o actual conselheiro-chefe de Donald Trump, Stephen Bannon, ter ordenado à imprensa para manter a "boca fechada". Recorde-se que Bannon era até há pouco tempo um dos nomes responsáveis pelo Breitbart News. Saiu para a campanha de Donald Trump, acabando por ocupar um dos mais importantes cargos da Administração.

Milo Yiannopoulos, que foi expulso definitivamente do Twitter depois de escrever uma série de mensagens racistas, utilizou a sua página de Facebook para apoiar a mensagem do Presidente. “Os dias em que podiam silenciar as vozes conservadoras e libertárias no campus e ainda assim esperar contar com o seu dinheiro para os impostos está a acabar”, avisou. “Sou catalisador para esta mudança”, acrescentou o homem que se autoproclama “o supervilão mais fabuloso da Internet”.

Yvette Felarca, um dos alunos que organizou a manifestação, defendeu em declarações à BBC que esta era só uma forma de auto-defesa. Já Dan Moulof, porta-voz da instituição académica, lamentou que "a violência das acções de um pequeno grupo tenha interferido no que se propunha a ser um protesto pacífico e legal".

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