Justiça

José Manuel Coelho chama "fascistas" aos juízes, Garcia Pereira diz que decisão é "justa"

O deputado madeirense foi condenado a um ano de prisão efectiva para cumprir aos fins-de-semana.
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Rui Guadencio/arquivo

O deputado madeirense José Manuel Coelho disse nesta segunda-feira que já estava à espera de ir preso e que os tribunais não são democráticos e que, por isso, só se podem esperar “sentenças fascistas e reaccionárias”. Por seu lado, o advogado e ex-dirigente do PCTP/MRPP, Garcia Pereira, considera a sentença do Tribunal da Relação de Lisboa "justa".

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O Tribunal condenou o deputado madeirense a um ano de prisão efectiva, para cumprir aos fins-de-semana, no âmbito de um processo interposto pelo advogado Garcia Pereira.

“Não me surpreendeu, porque já estava à espera que, mais mês, menos mês, mais dia, menos dia, eles me iam condenar a prisão efectiva”, declarou o deputado madeirense, salientando estar admirado por não ter sido condenado mais cedo à prisão e que vai recorrer da decisão. Segundo o deputado, o “órgão de soberania tribunais não é democrático, transitou do tempo do Salazar com armas e bagagens para o regime democrático”.

“Ora, como temos esse sistema decalcado do fascismo, naturalmente que, a própria natureza fascista dessas instituições e dos seus titulares só se podem esperar sentenças fascistas e reaccionárias”, declarou, acrescentando que não se rende e que, mesmo que vá preso, não vai parar de lutar. “O objectivo desses senhores juízes fascistas é com a possibilidade da minha prisão desmoralizar-me do ponto vista pessoal e tentar minar a minha combatividade de antifascista. Eu sou antifascista, sou revolucionário e quero a liberdade de expressão para o meu país”, acrescentou.

Já Garcia Pereira considerou  que a decisão "é justa” e mostra que na vida política “não vale tudo”. “Esta decisão após anos e anos de impunidade e contínuo proferimento das mais baixas provocações e boçalidades é uma decisão inteiramente justa”, sublinhou o advogado e dirigente do PCTP/MRPP.

Para o advogado, esta decisão “finaliza e consagra que na vida, em particular na vida política, não vale tudo e que não é aceitável que se possam produzir ataques pessoais e vexames dos mais primários”.

Recorde-se que José Manuel Coelho classificou Garcia Pereira de ser um “agente da CIA” e de “fazer processos aos democratas da Madeira” a pedido de Alberto João Jardim, ex-presidente do Governo Regional da Madeira.