#DeleteUber: o "boicote" à Uber que começou nas redes sociais

Os taxistas de Nova Iorque fizeram greve na zona do aeroporto John F. Kennedy, onde se juntaram os manifestantes contra o novo decreto presidencial. A Uber baixou as tarifas para essa zona.

Os utilizadores das redes sociais acusaram a Uber de tentar lucrar com a imoralidade
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Os utilizadores das redes sociais acusaram a Uber de tentar lucrar com a imoralidade Martin Henrik

A Uber foi acusada, este domingo, de tentar furar a greve dos taxistas de Nova Iorque à zona do aeroporto John F. Kennedy (JFK), onde se encontravam os manifestantes contra o novo decreto presidencial norte-americano que proíbe a entrada naquele país de cidadãos de sete estados com maioria muçulmana. O descontentamento ganhou eco nas redes sociais, onde a hashtag #DeleteUber (“Apague a Uber”) começou a ganhar popularidade.

No último sábado, o Sindicato dos Taxistas de Nova Iorque fez saber, na sua conta do Twitter, que estava a convocar uma greve para o mesmo dia, na zona do aeroporto JFK, em solidariedade com os manifestantes que protestavam contra o decreto presidencial.

As manifestações continuaram no domingo, dia em que a Uber anunciou que ia desactivar a tarifa dinâmica para a zona do aeroporto JFK – o que significa que o preço das corridas ia baixar. Esta decisão não agradou aos utilizadores da aplicação, que acusaram a empresa de querer lucrar com algo imoral. Um dos utilizadores partilhou uma captura de ecrã na qual se podia ler, como justificação para o cancelamento da conta, que, se a empresa quer “lucrar” com o facto de estar do lado errado da moral “vai fazê-lo sem a minha ajuda. Adeus”.

Outro utilizador escreveu: “Ver que a Uber tentou furar a greve dos taxistas em Nova Iorque, onde se protestava contra a proibição da entrada de refugiados, deu-me um nó no estômago. Recuso-me a usar a vossa empresa outra vez”.

A primeira pessoa a responder ao tweet original da Uber, usando a hashtag foi Dan O’Sullivan (@Bro_Pair no Twitter), que disse ao Daily Beast que o fez como aviso: “Se uma empresa pensa que pode enfrentar Trump, enquanto ganha dinheiro de forma discreta, vai ter de pagar um preço.”

Travis Kalanick, presidente executivo da Uber (que faz, alegadamente, parte do conselho consultivo de Donald Trump), escreveu num post no Facebook que considera o decreto presidencial “injusto”. Também fez saber que vai oferecer apoio legal e financeiro aos motoristas da Uber que se encontrem fora do país e não consigam regressar por causa da decisão de Trump. “Os motoristas que estiverem actualmente fora dos EUA não serão capazes de voltar ao país durante 90 dias. Isso significa que não terão rendimentos para ajudar as suas famílias, das quais estarão separados durante esse tempo”, justifica.

Num comunicado de imprensa, a empresa fez saber que está a trabalhar para identificar e compensar esses motoristas pro bono durante os “próximos três meses, para os ajudar a mitigar algum do stress financeiro e das complicações” que podem afectar as suas famílias. A Uber promete dar mais detalhes sobre esta questão nos próximos dias.  

Ao Business Insider, um porta-voz da empresa declarou que a decisão de recolher passageiros no JFK não tinha como objectivo furar a greve dos taxistas, nem lucrar com as manifestações. “Lamentamos a confusão que causou o nosso último tweet – não queríamos furar nenhuma greve. Só queríamos que as pessoas soubessem que podiam usar a Uber paradeslocarem-se para o JFK a preços normais, especialmente na última noite”.

Alguns dos utilizadores que se insurgiram contra a empresa recomendaram a Lyft, uma aplicação semelhante à Uber, que escreveu, no seu blogue, que ia doar um milhão de dólares à União Americana pelas Liberdades Civis, uma organização não governamental que tem como missão "defender e preservar os direitos e liberdades individuais garantidas a cada pessoa pela Constituição e leis dos Estados Unidos".