Decreto de Trump contra muçulmanos revolta desportistas

O capitão da selecção de futebol norte-americana e o bicampeão olímpico dos 5000 e 10.000m fizeram ouvir a sua voz de discórdia.

Michael Bradley criticou as decisões de Donald Trump
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Michael Bradley criticou as decisões de Donald Trump TORU HANAI

O capitão da selecção de futebol dos Estados Unidos, Michael Bradley, admitiu neste domingo sentir-se “triste e envergonhado” com o decreto de Donald Trump que impede a entrada de imigrantes de alguns países no país.

“Quando Trump foi eleito esperava que o presidente Trump fosse diferente do activista Trump”, escreveu o jogador na rede social Twitter.

Bradley, de 29 anos, admite ter acreditado que “a retórica xenófoba e narcisista fosse substituída por uma abordagem mais humilde”.

Admitindo que estava errado, o futebolista considerou que a “proibição de entrada de muçulmanos é apenas o último exemplo de uma medida tomada por alguém que está fora da realidade do país”.

O decreto norte-americano sobre a “protecção da nação contra a entrada de terroristas estrangeiros nos EUA”, que entrou em vigor na sexta-feira, proíbe durante 90 dias a entrada nos Estados Unidos de cidadãos de sete países considerados de risco por Washington: Irão, Iraque, Líbia, Somália, Sudão, Síria e Iémen.

Também o britânico de origem somali Mo Farah, bicampeão olímpico dos 5000 e 10.000 metros, disse sentir-se um “extraterrestre”, na sequência do decreto de Trump.

“A 1 de Janeiro deste ano, sua majestade a rainha [de Inglaterra] fez-me cavaleiro do reino. A 27 de Janeiro, o presidente Donald Trump parece ter-me tornado num extraterrestre”, escreveu Mo Farah na sua página na rede social Twitter.

“Sou um cidadão britânico que viveu na América nos últimos seis anos – trabalhando duro, contribuindo para a sociedade, pagando os meus impostos e fazendo crescer as nossas quatro crianças num lugar ao qual agora chamam casa. Agora, a mim e outros como eu está-nos a ser dito que se calhar não somos bem-vindos”, lamentou.

Mo Farah questionou como vai dizer aos seus filhos que “talvez o pai possa não conseguir voltar a casa” e como lhes pode “explicar que o presidente introduziu uma política baseada na ignorância e no preconceito”.

“Fui bem recebido na Grã-Bretanha vindo da Somália com oito anos e foi-me dada uma hipótese de ser bem-sucedido e realizar os meus sonhos. Tive orgulho de representar o meu país, ganhar medalhas para o povo britânico e receber a grande honra de me tornar cavaleiro. A minha história é um exemplo do que pode acontecer quando seguimos políticas de compaixão e compreensão e não de ódio e isolacionismo”, concluiu.

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