Conselheiro-chefe de Trump aos media: "Mantenham a boca fechada"

Stephen Bannon diz que os meios de comunicação social americanos foram “humilhados” nas eleições.

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LUSA/Andrew Harrer / POOL

O conselheiro-chefe de Trump, Stephen K. Bannon, referiu-se aos meios de comunicação americanos como a “oposição” do actual governo. Segundo o The New York Times, Bannon fez estas afirmações durante uma entrevista na manhã de quarta-feira, referindo que os órgãos de comunicação social tinham sido “humilhados” pelos resultados inesperados das eleições.

“Os media deviam estar envergonhados e humilhados e deviam manter a boca fechada”, disse o principal estratego de Trump, considerando que os meios de comunicação social deviam dedicar-se a ouvir. “Quero que citem isto”, disse Bannon, por telefone, ao The New York Times, explicando que os órgãos de comunicação social não entendem os EUA e, portanto, não entendem a razão pela qual Trump foi eleito.

Steve Bannon é o antigo director da Breitbart News, um website noticioso de extrema-direita que tem sido repetidamente denunciado por publicar artigos racistas, misóginos, homofóbicos ou xenófobos.

A escolha de Stephen Bannon, de 63 anos, para ser um dos conselheiros mais importantes do próximo Presidente dos Estados Unidos fez soar um coro de preocupações e críticas. Afinal, Bannon dirigiu um site com títulos exaltando a bandeira sulista após um ataque a uma igreja da comunidade negra de Charleston, chamando “judeu renegado” a Bill Kristol, crítico de Donald Trump, acusando a Administração Obama de estar "infiltrada por apoiantes da sharia [lei islâmica]", ou ainda questionando quem o lê: “Preferia que a sua filha tivesse cancro ou feminismo?”

Em Outubro de 2015, o site económico Bloomberg classificou o conselheiro-chefe de Trump como “o operacional político mais perigoso da América”.

Na sequência da declaração de Trump, que disse estar “em guerra” com os meios de comunicação social e com os jornalistas – que considera serem “das pessoas mais desonestas do planeta” – Bannon afirmou esta quarta-feira que os canais noticiosos estão a ser parciais na cobertura que fazem sobre o Presidente norte-americano.

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