Juntas de Lisboa preocupadas com envelhecimento, desemprego e saúde mental das pessoas

O vereador dos Direitos Sociais da autarquia de Lisboa pretende desenvolver medidas, que vão integrar o plano de Desenvolvimento Social 2017-2020, para subir a taxa de emprego e reduzir a pobreza.

João Afonso, vereador do pelouro dos Assuntos Sociais da Câmara Municipal de Lisboa
Foto
João Afonso, vereador do pelouro dos Assuntos Sociais da Câmara Municipal de Lisboa Miguel Madeira

As Juntas de Freguesia de Lisboa apontam como principais problemas sociais a população idosa e o envelhecimento, o desemprego e a saúde mental, áreas para as quais reconhecem não ter respostas, segundo um diagnóstico divulgado nesta quinta-feira.

De acordo com um estudo feito entre Junho e Dezembro de 2015 no âmbito da Rede Social de Lisboa - gerida pela Câmara Municipal, Santa Casa de Misericórdia e pelo Centro Distrital de Segurança Social e que agrega Juntas e associações -, outros dos principais problemas nas freguesias relacionam-se com a família, a população activa e a formação, a educação, a saúde comunitária e com a pobreza.

"Estas são as principais preocupações das juntas", observou o vereador dos Direitos Sociais da autarquia, João Afonso, em declarações à agência Lusa.

Segundo o autarca, "a percepção dos problemas por parte das freguesias corresponde ao que referem os dados estatísticos", nomeadamente dos Censos 2011. Contudo, João Afonso assinalou que o diagnóstico demonstrou que estas são também as áreas "para as quais as freguesias não têm como dar resposta", nomeadamente a temáticas como a saúde mental, o desemprego, os cuidados continuados, a saúde comunitária e a população activa e formação, por ordem decrescente.

Os resultados obtidos resultam de um inquérito online feito às 24 Juntas de Freguesia da cidade, explicou o autarca, "assinalando que esta foi a "primeira vez que se conseguiu juntar dados das instituições com estatísticas". Destas, 22 freguesias responderam às perguntas e duas não participaram.

"A Junta de Santa Maria Maior não respondeu [ao inquérito] porque tem o seu diagnóstico social e Carnide não quis responder", precisou o vereador dos Cidadãos por Lisboa (movimento eleito nas listas socialistas). Além das Juntas, o inquérito "Problemáticas e Prioridades Sociais" abrangeu outros membros da rede social de Lisboa (que conta 425 entidades), num total de 84 respostas dos parceiros.

Cruzando essas informações com as estatísticas, concluiu-se que na cidade de Lisboa, entre 1991 e 2011, houve uma "acentuada redução" da Taxa de Abandono Escolar e também um aumento da população idosa com 80 ou mais anos, na ordem dos 36,4%.

Assistiu-se também a um aumento do desemprego e da Taxa de Risco de Pobreza, que passaram, respectivamente, de 9,1% e de 17,9% para 14,0% e para 19,5% no final de 2014, no que toca à Área Metropolitana de Lisboa. De acordo com João Afonso, estes resultados obtidos permitiram "definir eixos de intervenção [ao nível do território, dos públicos-alvo, dos grupos de maior vulnerabilidade e da promoção da empregabilidade] para criar medidas que serão implementadas pela rede social de Lisboa nos próximos quatro anos".

Essas medidas estão expressas na estratégia do Plano de Desenvolvimento Social 2017-2020, aprovado por unanimidade na quarta-feira, em reunião pública do executivo. O documento, que estipula a agenda para concretização destas acções, "visa a melhoria das condições de vida na cidade e representa a visão que os organismos que trabalham na área social têm da realidade com que trabalham", adiantou João Afonso.

A Rede Social de Lisboa foi criada em 2006.