Roman Polanski renuncia à cerimónia dos Césares

O realizador polaco reage assim à polémica e às criticas de movimentos feministas perante a sua escolha para presidir à entrega dos principais prémios da indústria cinematográfica francesa.

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Roman Polanski em Montreux, em 2010 Denis Balibouse/ REUTERS

Roman Polanski já não vai presidir à cerimónia de entrega dos Césares, os principais prémios da indústria cinematográfica francesa, marcada para o dia 24 de Fevereiro, em Paris.

Na véspera do anúncio dos nomeados, o realizador de O Pianista (2002) renunciou à cerimónia, em consequência da polémica gerada em torno da sua escolha pela Academia francesa do cinema. Após o anúncio, na passada quarta-feira, de que seria ele o presidente da sessão, grupos feministas lançaram uma petição online apelando à sua destituição e ao boicote à transmissão televisiva da cerimónia, lembrando a acusação que sobre ele ainda impende de violação de uma adolescente norte-americana de 13 anos, em 1977, na Califórnia.

Num comunicado citado esta terça-feira pela AFP, Roman Polanski, através do seu advogado, anuncia a renúncia ao cargo após toda a polémica criada em volta dele, mesmo se a considera “injustificada”. Ainda segundo o seu advogado, o realizador de A Noite da Vingança (1994) manifesta-se “profundamente triste” com o desenvolvimento deste caso, e justifica também a sua recusa com o desejo de salvaguardar a sua família.

Além de exigirem a retirada do convite, grupos feministas em França lançaram, nas redes sociais, um apelo de boicote à noite dos Césares – #BoycottCesar –, e convocaram inclusivamente uma manifestação frente à Sala Pleyel, onde este ano se irá realizar a cerimónia.

Também a ministra francesa Laurence Rossignol, que tem a pasta da Família, das Crianças e dos Direitos das Mulheres, se manifestou publicamente indignada com a escolha de Polanski para presidir aos Césares. “É surpreendente e chocante que um caso de violação conte tão pouco na vida de um homem”, disse Rossignol à rádio France Culture. 

O realizador, actualmente com 83 anos, fugiu em 1978 dos Estados Unidos, após ter sido julgado e considerado culpado por, no ano anterior, ter drogado e violado Samantha Geimer, de 13 anos, na Califórnia, no decorrer de uma sessão de fotografia para a revista Vogue. Após uma detenção de mais de um mês naquele país, Polanski viajou e radicou-se em França – onde ainda hoje vive com a mulher, a actriz Emmanuelle Seigner –, e de onde se tem defendido, numa longa batalha judicial contra o pedido de extradição para os Estados Unidos – e cujo último episódio foi a decisão, anunciada em Dezembro pelo Supremo Tribunal da Polónia, de recusar reabrir o seu processo de extradição para aquele país.