Instituto de Coimbra defende que politécnicos devem atribuir doutoramentos

Rui Antunes considera que a divisão feita entre politécnicos e universidades não faz sentido.

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"Chegou a altura e o momento de exigirmos que esta barreira acabe", frisou Rui Antunes CARLA CARVALHO TOMáS / PúBLICO

O presidente do Instituto Politécnico de Coimbra (IPC), Rui Antunes, voltou a defender esta sexta-feira o fim das barreiras para que politécnicos possam atribuir graus de doutoramento aos seus alunos. "A divisão que actualmente existe entre o ensino superior politécnico e o ensino superior universitário deixou de ter razão de ser", reafirmou Rui Antunes, considerando que a manutenção de um sistema binário é uma "distinção prejudicial, não só para as instituições, como para a inserção no mercado de trabalho de alguns dos diplomados".

Segundo o presidente do IPC, "não faz sentido manter uma divisão do ponto de vista jurídico entre o que o politécnico e uma universidade podem fazer". O ensino politécnico pretende "continuar a investir na formação ligada à profissão" e ao mercado de trabalho, tendo em conta "as necessidades da indústria, do comércio e dos serviços", realçou.

No entanto, o IPC não quer "limites que derivam da natureza jurídica", referiu Rui Antunes, que discursava na cerimónia de entrega das bolsas de estudo por mérito aos alunos da instituição, aproveitando o momento para apelar aos estudantes para serem aliados do politécnico nesta questão.

Para que o ensino superior politécnico se possa desenvolver, "é importante que possa ser capaz de atribuir todos os graus dentro do ensino superior", realçou, considerando que isso é vedado "apenas do ponto de vista administrativo". "Chegou a altura e o momento de exigirmos que esta barreira acabe", frisou Rui Antunes.

Em declarações aos jornalistas, o presidente do Politécnico de Coimbra realçou que falta apenas vontade política, admitindo, porém, que é "muito difícil de mudar" a Lei de Bases da Educação, por forma a garantir que os politécnicos possam atribuir o grau de doutoramento. Rui Antunes informou ainda que os politécnicos estão a elaborar um documento, com dados de um estudo que encomendaram, que deverá estar concluído dentro de um mês e que depois será entregue ao Governo e aos partidos com assento parlamentar.

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