Governo liberta 21 milhões para tirar crianças dos contentores no S. João

A verba faz parte de um plano de investimentos orçado em 66 milhões de euros que a administração do centro hospitalar fez chegar ao ministro Adalberto Campos Fernandes

Adriano Miranda
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Adriano Miranda

O Ministério da Saúde vai financiar integralmente a construção da ala pediátrica do Centro Hospitalar de São João (CHSJ), que é uma prioridade da actual administração presidida por António Oliveira e Silva.

O financiamento da nova unidade, destinada ao internamento pediátrico (a funcionar há vários anos em contentores instalados fora do espaço físico do próprio hospital), será feito de forma faseada, prevendo-se que a primeira tranche (no valor de sete milhões de euros) seja desbloqueada já este ano. O resto do bolo será repartido em partes iguais pelos dois anos seguintes, num total de 21 milhões de euros.

A decisão do Ministério da Saúde foi conhecida nesta quinta-feira, no dia em que o PÚBLICO denunciava que o bem-estar das crianças está em risco nos contentores do São João, onde funciona o internamento pediátrico daquele hospital de referência e de vocação universitária.

Ao que o PÚBLICO apurou, a construção da ala pediátrica do São João faz parte do plano de investimentos que a administração do centro hospitalar fez chegar no final do ano passado ao ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, orçado em 66 milhões de euros.

A Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte revelou nesta quinta-feira que o Ministério da Saúde aprovou o plano estratégico e o enquadramento do projecto global da ala pediátrica do Centro Hospitalar de São João.

A ARS-Norte adianta que o plano, “para além de contemplar a instalação definitiva de toda a ala pediátrica em instalações condignas, vai igualmente permitir, que na mesma ala, sejam desenvolvidas áreas complementares ao Centro Materno-Infantil do Norte, nomeadamente: Serviço de Urgência Pediátrica Metropolitano, Trauma e Doente Critico Pediátrico e Neonatal, Unidade de Queimados, Cardiologia Pediátrica (incluindo Cirurgia Cardíaca), Doenças Hereditárias do Metabolismo, Centro de Referência Nacional de Oncologia (aqui em articulação com o Instituto Português de Oncologia-Porto)”.

O documento refere que “após o desmantelamento do Departamento de Pediatria, em 2010, registou-se um agravamento substancial das condições assistenciais, nomeadamente com dispersão de serviços (o maior dos quais para fora, distante e sem acesso directo ao edifício central do Hospital de São João) e alojamento em monoblocos (vulgo contentores) ou numa ‘cave’, o que se mantém, com condições ainda mais degradadas, até ao presente”.

O grupo de trabalho que fez o documento adianta que o “projecto de remodelação da ala pediátrica ficou desactualizado ainda antes de ter sido minimamente iniciado. Assim, impõe-se proceder à reformulação do referido projecto, o que deverá ter em linha de conta duas ordens de factores que estão, obviamente, interligados: a alteração da realidade assistencial e o planeamento estratégico gizado para o Hospital Pediátrico Integrado [HPI]”.

“Tendo em conta que o projecto de 2012 contemplava uma dimensão exagerada, nomeadamente de lotação de internamentos (que terá de ser revista em baixa, por força das repercussões da diminuição da taxa de natalidade e incremento da taxa de ambulatorização), considerando que a oferta assistencial se ampliou e que o cenário económico-financeiro é ainda mais exigente”, diz o grupo de trabalho, que defende a “reformulação do projecto de remodelação da ala pediátrica do CHSD”.

Uma vez que a ala pediátrica vai ser financiada exclusivamente pelo investimento público, a administração do CHSJ reunir-se-á esta semana com a Associação Um Lugar pró Joãozinho, criada com o objectivo de construir a nova unidade de saúde no São João.A obra, que chegou a estar prevista para 2017, encontra-se parada por falta de investimento.

Ao que o PÚBLICO apurou, o ministro Adalberto Campos Fernandes tem agendada uma visita em breve ao Hospital de São João que será aproveitada para fechar definitivamente o dossier que diz respeito à ala pediátrica do CHSJ.