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Obama: "Chelsea Manning já cumpriu uma dura pena de prisão"

Na sua última conferência de imprensa como Presidente dos EUA, Obama defendeu o perdão a Chelsea Manning, garantindo que já foi feita justiça.

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Reuters/KEVIN LAMARQUE

O Presidente dos EUA deu a sua última conferência de imprensa na Casa Branca, onde, respondendo às perguntas dos jornalistas, passou em revista os últimos oito anos de presidência.

Começando por desejar as melhoras do casal George H. W. e Barbara Bush, que foi hospitalizado, Obama elogiou o papel dos jornalistas na democracia: “A América precisa de vocês, a nossa democracia precisa de vocês”.

Passando para as questões, o primeiro tema abordado foi a comutação de pena concedida a Chelsea Manning. Obama defendeu que a antiga soldado responsável pela maior fuga de informação da história do país, "já cumpriu uma dura pena de prisão". O Presidente admitiu que se sente confortável com a decisão, pois "foi cumprida justiça".

Para aqueles que possam, eventualmente, protagonizar uma fuga de informação confidencial, o Presidente avisou que o exemplo de Manning demonstra que não ficarão impunes, garantindo que não se preocupa com as opiniões de Julian Assange, fundador do WikiLeaks, plataforma que divulgou a informação de Manning: “Não presto atenção aos tweets de Assange, isso não entrou em consideração nesta decisão”, explicou Obama. Chelsea Manning vai ser libertada em Maio deste ano, tendo visto reduzida uma pena de prisão que só acabaria em 2045.

Depois, sobre a Rússia, Barack Obama garantiu que “é do interesse da América e do mundo ter uma relação construtiva” com Moscovo. Porém, diz que, desde que Putin recuperou o poder, “houve uma escalada da retórica anti-americana”, o que tornou a "relação mais difícil”.

O democrata esclareceu ainda que as sanções impostas ao Kremlin tiveram como razão a violação da “soberania e independência de um país: a Ucrânia”.

Um dado curioso foi relatado por um repórter do USA Today presente da conferência de imprensa. Segundo Gregory Korte, um jornalista russo tentou insistentemente fazer uma pergunta, mas Obama seguiu sempre uma lista com os nomes dos jornalistas a quem iria responder, ignorando os pedidos do repórter russo.

A conversa passou então para o inevitável. A dois dias da chegada à Casa Branca do próximo Presidente, Donald Trump, Obama revelou que as conversas entre os dois são “cordiais” e que lhe deu muitos conselhos. Entre os quais, que "este é um trabalho de tal magnitude que não se pode fazer sozinho”, afirmou. “Se se encontrar numa situação em que está isolado, e só ouve as pessoas que concordam consigo (…) é quando se começam a cometer erros”, disse Obama, considerando este o melhor conselho que deu ao magnata republicano.

Sobre o boicote à tomada de posse de Donald Trump, na próxima sexta-feira, de vários congressistas democratas, o Presidente nada disse, garantindo apenas que ele e Michelle estarão presentes na cerimónia.

Outro dos assuntos que mais polémica geraram nos últimos tempos foi a aprovação pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas de uma resolução contra a construção de colonatos por parte de Israel na Palestina, decisão possibilitada pela abstenção dos EUA. Sobre isso, Obama diz que não se pode “forçar” a paz entre israelitas e palestinianos, e que quis “preservar a possibilidade da solução de dois Estados” na região.

E a partir da próxima sexta-feira, dia em que deixa definitivamente a Casa Branca, Obama promete “passar tempo precioso com as filhas”, “escrever” e “ficar quieto”, prometendo assim pouca ou nenhuma intervenção pública durante este ano.

“Penso que a América vai ficar bem”, disse Obama antes de se despedir dos jornalistas.

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