Alunos em greve contra a Parque Escolar e falta de funcionários

Com a biblioteca fechada e sem aulas de Educação Física, alunos de Abrantes decidiram fazer greve.

A Escola Secundária Dr. Manuel Fernandes, em Abrantes, foi intervencionada há apenas dois anos
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A Escola Secundária Dr. Manuel Fernandes, em Abrantes, foi intervencionada há apenas dois anos paulo pimenta

Os alunos da Escola Secundária Dr. Manuel Fernandes, em Abrantes, vão nesta quinta-feira fazer uma greve em protesto pela falta de pessoal não docente, que levou já ao encerramento da biblioteca escolar, e contra a degradação deste estabelecimento de ensino, um dos muitos intervencionados pela empresa pública Parque Escolar (PE).

As obras foram concluídas apenas há dois anos, mas as caldeiras de aquecimento de água dos balneários não funcionam, o que levou à suspensão das aulas de Educação Física, há salas de aulas sem portas, um campo desportivo com fissuras no chão e videoprojectores e computadores fora de uso por falta de manutenção.

Estes são alguns dos problemas enumerados por João Morgado, porta-voz do chamado Movimento de Alunos do Liceu, que se constituiu em protesto contra a situação em que se encontra a escola. “Há muitos mais alunos com este mesmo tipo de problemas no país. Se nos uníssemos teríamos mais possibilidades de ser ouvidos pelo Ministério da Educação”, refere João Morgado.

Uma das reivindicações dos alunos de Abrantes é a revisão do contrato estabelecido entre a escola e a Parque Escolar de modo a que seja dada autonomia às escolas para resolver problemas de manutenção como os que se têm registado naquele estabelecimento de ensino. A manutenção dos edifícios e equipamentos das escolas intervencionadas pela Parque Escolar está a cargo da empresa pública. As falhas registadas levaram recentemente a Escola Secundária de Carcavelos a ameaçar não abrir portas no 2.º período, o que levou a uma intervenção de emergência por parte da PE.

No caso de Amarante, o gabinete de comunicação da Parque Escolar informou o PÚBLICO que as reparações correm por conta do empreiteiro que fez a obra por se estar ainda em período de garantia. “É o caso da intervenção nas portas da sala de aula, situação que já foi corrigida”, indicou, a empresa, acompanhada pelo empreiteiro, “tem estado nas últimas semanas na escola e está em contacto permanente com a direcção [da escola] para resolução das situações detectadas”.

O PÚBLICO tentou sem sucesso contactar o director da escola de Abrantes. João Morgado confirma que têm estado técnicos da Parque Escolar na escola, mas frisa que vão manter a greve desta quinta-feira porque ainda há problemas para resolver. Não só os de manutenção, mas também os relacionados com a falta de pessoal não docente, uma situação que é comum a quase todos os estabelecimentos de ensino.

Em Novembro, o Ministério da Educação anunciou que iriam ser contratados mais 300 auxiliares, mas segundo indicou o presidente da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas, Filinto Lima, a burocracia que envolve este processo leva a que várias das escolas que iriam receber reforços continuem sem estes.

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