“Teria sido completamente ilusório” convidar Trump para Davos

A ausência do Presidente eleito dos EUA não é uma novidade. O director executivo do Fórum Económico Mundial confirma que não lhe endereçou um convite.

Klaus Schwab confirmou que a organização não convidou o futuro Presidente dos EUA
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Klaus Schwab confirmou que a organização não convidou o futuro Presidente dos EUA LUSA/GIAN EHRENZELLER

O fundador e director executivo do Fórum Económico Mundial, Klaus Schwab, negou que tenha sido feito qualquer convite a Donald Trump para se juntar no 47.º encontro anual que arranca esta terça-feira em Davos, na Suíça, e reúne líderes políticos e economistas de todo o mundo.

O encontro prolongar-se-á até sexta-feira, data em que Trump toma posse enquanto Presidente dos EUA. A ausência do Presidente eleito (ou de um representante da sua futura administração) não é uma novidade, mas a inexistência de um convite oficial por parte do Fórum foi agora confirmada por Schwab, em declarações à Bloomberg.

“Teria sido completamente ilusório, teria sido fantasioso convidá-lo para se juntar agora a nós [a dias da tomada de posse, na sexta-feira]. Talvez num dos próximos anos”, afirmou Klaus Schwab, depois de, em resposta a perguntas sobre o facto de Trump ter um programa isolacionista, contrário ao que é promovido pelo Fórum, ter dito que aguarda com serenidade a acção executiva de Trump.

Trump, que recorreu a promessas de alteração das regras do comércio internacional para conquistar o voto dos norte-americanos, defende uma política económica contrária aos ideais da globalização e do comércio livre defendidos no Fórum. Os EUA estarão representados pelo ainda vice-Presidente, Joe Biden, e pelo secretário de Estado, John Kerry.

Entre algumas das alterações às regras do comércio internacional dos Estados Unidos, recorde-se, Trump anunciou a intenção de aplicar uma taxa de 35% à importação de automóveis da BMW, produzidos no México. Depois das declarações de Trump, as acções da BMW, tal como da Volkswagen ou da Daimler, caíram em bolsa.

Apesar disso, a marca alemã já veio reiterar os seus planos de investimento no México e não cede à pressão do futuro Presidente dos EUA. Esta segunda-feira, pela voz de Peter Schwarzenbauer, um dos dirigentes da BMW, a marca reiterou que irá avançar com a criação de cerca de 1500 postos de trabalho a partir de 2019, com base num investimento de mil milhões de dólares, detalha o El País.

Para além da BMW, também a Volkswagen e a Daimler não irão recuar no investimento em fábricas de produção automóvel no México, sem, no entanto, abdicarem de investimento em países europeus.