Entrevista

“Estas medidas são um estímulo para os Jogos de Tóquio”

Ministro da Educação explica o enquadramento das medidas de apoio aos estudantes-atletas de alta competição.

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Tiago Brandão Rodrigues Nuno Ferreira Santos

Os professores que são simultaneamente treinadores de atletas olímpicos ou paralímpicos passaram a ter uma redução de horário para permitir conciliar o treino e as aulas. Para ajudar os alunos a fazer o mesmo, foram criadas Unidades de Apoio ao Alto Rendimento Escolar em quatro escolas. O Ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, enquadra as medidas numa entrevista dada por escrito ao PÚBLICO.

A escola pública tem que ter um papel no apoio ao desporto de alta competição?
 A escola pública é onde começa o contacto de todos com o desporto, com os seus valores e com o prazer e a disciplina que ele fomenta. Através da Educação Física, que grandemente valorizamos; através do Desporto Escolar, que é o maior clube nacional com quase 200 mil alunos que também são atletas; e ainda com a compatibilização do alto rendimento desportivo com o sucesso escolar. É por isso que muitas das medidas que constam do diploma de apoio aos atletas de alto rendimento dizem respeito ao seu regime escolar, para que seja possível que quem faz desporto ao mais alto nível possa continuar a ser aluno ao mais alto nível também.
 
Os créditos horários para professores que são simultaneamente treinadores de atletas olímpicos e paralímpicos são um reconhecimento ou um estímulo?
 Desde logo, estas medidas valorizam os professores que também treinam atletas olímpicos e paralímpicos e que, assim, com eles representam Portugal em competições que só alguns alcançam. Por isso, estas medidas são um estímulo inequívoco para a sua entrega, para o seu foco e para o seu desempenho enquanto treinadores de alta competição, num ciclo estável de quatro anos que agora se inicia, tendo como horizonte  os Jogos de Tóquio. Mas são igualmente um reconhecimento que olha para o futuro, não deixando de ser também algo que lhes é devido pelo trabalho desenvolvido até hoje, pelo nível desportivo atingido e por todos os atletas que influenciaram positivamente.
 
O Decreto-Lei em que se baseia a criação das UAARE é de 2009. O que pode justificar que tenham sido necessários seis anos para que nascesse um projecto como estes?
 A este Governo não demorou seis anos. Demorou bem menos. Menos de um ano, aliás. Porque percebemos bem como o impacto prático e mais efetivo da legislação produzida necessita de ser reforçada com ações que tenham resultados reais para os atletas. Muitas vezes tal não acontecia na prática. Com as UAARE, estão criadas as condições para que isso seja assegurado e bem assegurado.