Uma semana de protestos a marcar a celebração de Trump

A tomada de posse do novo Presidente é marcada por manifestações e marchas contra as suas políticas e atitudes.

Foto
Os Pussy Power Hats a serem tricotados Reuters

À porta da Strand, uma das livrarias mais emblemáticas de Nova Iorque, há uma frase escrita a giz de várias cores: “Read, Write and Fight Trump Every Day”. A uns dez quilómetros dali, à estrada de uma estação de metro de um bairro residencial com muita gente jovem, a mesma mensagem sintetizada: “Fight Trump Every Day”. Estamos na semana que antecede a tomada de posse do 45.º Presidente dos Estados Unidos, um momento que é o reflexo de um país dividido entre a celebração que não se percebe nas ruas, e o protesto que é audível e visível.

A agenda das manifestações contra Donald J. Trump começaram no sábado, e terão o ponto alto no dia 21, sábado, quando cerca de 200 mil mulheres – número apontado pela organização - desfilarem pelas ruas de Washington, palco central de uma marcha que já se estendeu a muitas cidades de país e do mundo.

Nesta marcha das mulheres vai surgir um grupo de com gorros de malha cor-de-rosa - a iniciativa Pussy Power Hats, lançada pela argumentista Krista Suh e pela arquitecta Jayna Zweiman, para denunciar as agressões verbais de Trump às mulheres. Os gorros, tricotados para a ocasião, recordam a frase "agarro-as pela rata" (pussy) que Trump usou numa conversa com um jornalista em 2005 e que foi divulgada durante a campanha eleitoral.

A mais recente novidade, no entanto, é um protesto marcado para as seis da tarde desse mesmo dia junto à trump Tower, em Nova Iorque, e que terá o apoio do mayor Bill de Blasio. A notícia foi avançada pelo canal de televisão NCB. De Blasio junta-se ao reverendo Al Sharpton, ao realizador Michael Moore e aos actores Rosie Perez e Mark Ruffalo em protesto contra as políticas de imigração, alteração climática, saúde ou direitos dos trabalhadores. “Vamos enviar uma mensagem para Washington de que lutaremos, em cada passo, contra as políticas danosas e de discriminação”, disse Ruffalo sobre uma iniciativa que também terá seguidores em Washington, junto ao novíssimo Trump International Hotel, com nomes ainda a confirmar além do de Alec Baldwin, o actor que interpreta Donald Trump em rábulas do Saturday Night Live.  

Um olhar rápido para a recente agenda de protestos é reveladora da sua diversidade. Cobre como áreas o ambiente, a imigração, a politica de armas, direitos da comunidade LGBTQ, direitos das mulheres, liberdades civis, saúde, educação, livre expressão. No sábado, 14, houve uma marcha pelos imigrantes e refugiados organizada pelo movimento We Are Here to Stay nas cidades de Chicago, Albuquerque, Tucson e Houston e outra em Washington, com o reverendo Al Sharpton chamando a atenção de Trump para a defesa dos direitos civis adquiridos.

Ontem, domingo, o senador Bernie Sanders - que disputou a nomeação democrata à presidência - juntou vários membros dos Congresso repudiando a anunciada decisão de Trump de pôr fim ao Affordable Care Act, conhecido por Obamacare. Quinta-feira, véspera da tomada de posse, é a vez dos professores se manifestarem em defesa do sistema público de educação numa espécie de aliança nacional; o mesmo dia em que o recém-inaugurado Museu Nacional de História e Cultura Afro-americana, em Washington, acolhe um baile pela paz organizado por um grupo de poetas, Voices of Hope and Resistence.

Dia 20, o dia da chegada de Trump à Casa Branca, a coligação ANSWER, pelo fim do racismo, reúne-se ao início da manhã na Freedom Plaza, em Washington e há uma marcha de estudantes a percorrer vários pontos do país.

No dia seguinte, 21, terá lugar aquele que já é anunciado como um dos maiores protestos anti-Trump da América. Começou de forma espontânea nas redes sociais como reacção à vitória do magnata americano, e repudiando o modo como tratou as mulheres nos seus discursos para se tornar num movimento que ultrapassa fronteiras e se alargou a temas como o ambiente, o direito ao aborto, as condições nas prisões, o direito de voto, saúde, igualdade de género e de raça, subida do salário mínimo... Os homens, dizem elas, estão convidados. Começa junto ao Capitólio às dez da manhã locais.