Está lançada a "âncora" para a transformação da Praça de Espanha: o novo edifício do IPO

O Instituto Português de Oncologia já recebeu os terrenos de que precisava para se expandir. Falta o investimento, do Estado e de privados, e a mudança de uma das praças mais movimentadas da capital.

A Praça de Espanha vai perder faixas de rodagem e o terminal rodoviário
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A Praça de Espanha vai perder faixas de rodagem e o terminal rodoviário Daniel Rocha

Cinco rubricas, uma assinatura e um aperto de mão. O momento foi curto, o simbolismo quer ser maior. Foi assinado esta segunda-feira o protocolo que vai permitir a construção de um novo edifício do Instituto Português de Oncologia (IPO) de Lisboa na Praça de Espanha. Além do aumento da capacidade de resposta médica, a Câmara Municipal de Lisboa, que cede os terrenos para a obra, espera também que este investimento sirva de “âncora” à requalificação urbana de toda a zona.

O novo edifício vai ser construído no que é hoje o parque de estacionamento da instituição e aproveita parte do terreno onde funcionou, até meados de 2016, o mercado da Praça de Espanha. Destina-se a concentrar todos os serviços de ambulatório – actualmente dispersos por vários locais do IPO – e a um centro de investigação. “Queremos aproveitar esta oportunidade para melhorar, e muito, as condições da investigação clínica”, disse Francisco Ramos, presidente do Conselho de Administração do IPO, na cerimónia.

O responsável considera que este investimento vai representar um “salto qualitativo” dos serviços prestados no instituto, uma vez que o futuro edifício terá 120 novos gabinetes de consulta, quinze salas de tratamentos endoscópicos e a duplicação da capacidade do hospital de dia para adultos. Trata-se de “um avanço inequívoco e claro” para o IPO, disse Francisco Ramos, que espera poder passar a tratar de 7.500 novos doentes por ano, em vez dos actuais seis mil.

O projecto, que ainda não está ultimado, prevê que o prédio tenha seis pisos à superfície e três no subsolo. O terreno é cedido pela câmara e o restante financiamento é assegurado por uma espécie de parceria público-privada. Para garantir os 30 milhões de euros previstos para as obras – “um investimento que nem sequer é estratosférico”, nas palavras do presidente do IPO – o Estado entra com 30% e espera-se que os fundos comunitários e o patrocínio de entidades cubram o que falta.

Mais praça, menos estrada

Para o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, joga-se aqui mais do que o futuro do IPO. “Este investimento é âncora da transformação” da Praça de Espanha, que “de praça só tem o nome”, disse.

A autarquia tem há vários anos a ambição de “criar um grande jardim” neste local, o que vai levar à eliminação do terminal rodoviário (junto ao Teatro da Comuna) e das vias que ligam as avenidas Calouste Gulbenkian e dos Combatentes. No fundo, a solução de tráfego proposta pela câmara passa por dois grandes cruzamentos em cada extremidade da praça.

Está ainda prevista a construção das sedes do banco Montepio e da companhia de seguros Lusitânia no lote entre as avenidas de Berna e Santos Dumont, e de novos edifícios de escritórios junto à Avenida dos Combatentes e no antigo espaço do mercado, ao lado do IPO.

Nesta terça-feira, na reunião da Assembleia Municipal de Lisboa, vai ser precisamente discutida a hasta pública de alienação dessa parcela onde funcionou o mercado até meados de 2016. A proposta, assinada pelos vereadores Sá Fernandes (Estrutura Verde) e Manuel Salgado (Urbanismo), define que ali poderá ser construído um edifício com 22 mil metros quadrados, destinado exclusivamente a “uso terciário”. A câmara propõe que este terreno seja vendido por, pelo menos, 16.450 milhões de euros.

Este é apenas o primeiro passo de um processo mais vasto. A autarquia pretende criar um “eixo terciário” nas zonas de Entrecampos, Praça de Espanha e Sete Rios com o objectivo de “criar um contexto favorável à empregabilidade e ao empreendedorismo”.

“É um dia muito feliz para nós”, admitiu Medina, que vê no novo edifício do IPO “um investimento de valorização urbanística de toda a cidade de Lisboa”. O autarca não quis comprometer-se com prazos para as mudanças na praça, disse apenas que elas vão decorrer “em paralelo” com as obras no instituto. Estas têm início previsto para 2018 e inauguração marcada para 2019.

“Vale a pena pensar que, em 2019, quando o Serviço Nacional de Saúde fizer 40 anos, teremos aqui uma oportunidade para honrar quem o criou”, disse o ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes.