Exames de cardiologia avançam em centros de saúde de Lisboa, Loures e Sacavém

Governo escolheu algumas unidades para o projecto-piloto que vai permitir que os cuidados primários façam exames como electrocardiogramas.

Foto
No Orçamento do Estado para 2017 estava previsto que os centros de saúde passassem a conseguir fazer exames de cardiologia, mas não se explicava como seria concretizada a medida Rui Gaudêncio

Os Agrupamentos de Centros de Saúde de Lisboa Central e de Loures/Sacavém foram seleccionados pelo Ministério da Saúde para receberem o projecto-piloto para a realização de exames de cardiologia nos cuidados primários. A ideia é que até 31 de Março estes centros de saúde passem a poder realizar internamente exames como electrocardiogramas, explica um despacho publicado nesta quinta-feira em Diário da República.

A ideia já tinha sido avançada pelo ministro da Saúde há um ano, pouco depois da tomada de posse. No Orçamento do Estado para 2017 estava também previsto que os centros de saúde passassem a conseguir fazer exames de cardiologia, mas não se explicava como seria concretizada a medida.

Agora, no despacho, a tutela explica que os exames vão avançar com projectos-piloto, à semelhança do que tem sido feito, por exemplo, com os dentistas e os rastreios visuais nos cuidados primários. Os centros de saúde vão poder realizar os electrocardiogramas mais simples (receberão equipamentos para o fazer), mas também um outro tipo de electrocardiograma em que a monitorização é contínua e em que o doente leva o aparelho para casa. Vão também realizar um exame que realiza medições automáticas e sucessivas da pressão arterial (Monitorização Ambulatória de Pressão Arterial).

O projecto será feito em parceria com o Centro Hospitalar de Lisboa Central, onde será criado “um centro de leitura e análise remoto no serviço de cardiologia”, que tratará da “informação e interpretação dos resultados analíticos dos exames realizados no âmbito do projecto-piloto”.

Com este programa, o Ministério da Saúde diz que quer promover “a disponibilidade, a acessibilidade, a comodidade, a humanização dos serviços, e a expansão e melhoria da capacidade da rede de cuidados de saúde primários”, dando aos centros de saúde “um novo tipo de resposta, nomeadamente, meios auxiliares de diagnóstico e de terapêutica”. Para os doentes pretende-se que haja também uma “redução do número de deslocações” e uma “melhoria da acessibilidade”.

Segundo o despacho, estes projectos pretendem também “aproveitar a capacidade técnica” que já existe no Serviço Nacional de Saúde (SNS) e conseguir uma “eventual redução de custos face aos valores despendidos actualmente” com os doentes que eram encaminhados para fazer estes exames nas instituições privadas que tinham convenções com o SNS. Aliás, estes exames terão de um custo pelo menos 10% inferior ao que está previsto nas tabelas. Outro objectivo passa por “terminar com a eventual duplicação destes exames quando os utentes recorrem aos hospitais”, já que os resultados devem ficar numa plataforma informática a que todos têm acesso.