Hipótese de coligação PSD/CDS em Lisboa afastada

Sociais-democratas deverão avançar sozinhos. O advogado José Miguel Júdice é um nome que está a ser ponderado.

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O advogado desfiliou-se do PSD em 2006 Daniel Rocha

A hipótese de o PSD vir a fechar uma coligação com o CDS para apoiar Assunção Cristas em Lisboa está praticamente afastada, apurou o PÚBLICO. Os sociais-democratas trabalham numa solução em que avançam sozinhos, com listas próprias a todos os órgãos. Um dos nomes que está agora em cima da mesa é o do advogado José Miguel Júdice, mas Carlos Barbosa, presidente do Automóvel Clube de Portugal, também deverá integrar a lista à câmara e com destaque.  

À margem de um pequeno-almoço hoje, em Cascais, o coordenador autárquico do PSD, Carlos Carreiras, assumiu que o candidato social-democrata à capital está já em processo final de decisão e revelou que terá notoriedade. "A candidatura que estamos a trabalhar vai lutar pela vitória. O que falta para o nome estar fechado é a convergência das propostas do candidato com as do partido", afirmou, sem comentar nomes. "Não será provável que seja uma mulher, mas pode ser. Se eu puder anunciar Lisboa em Fevereiro, anunciarei", afirmou ainda.

O PSD conta ter uma decisão final sobre o candidato antes do final do prazo estipulado para fechar todas as candidaturas (primeiro trimestre de 2017), mas não deverá ser a líder do CDS. Os sociais-democratas estão desagradados com a forma como o processo foi conduzido para chegar a um entendimento em Lisboa. Os centristas também se queixam da confusão que se instalou em Lisboa em torno do candidato à câmara.

Na solução que o PSD está a trabalhar consta o nome de José Miguel Júdice, antigo bastonário da Ordem dos Advogados. O advogado aderiu ao PSD em 1980 e integrou a Ala Nova Esperança, com Marcelo Rebelo de Sousa, Durão Barroso e Pedro Santana Lopes. Desfiliou-se em 2006. Depois, em 2007, viria a ser mandatário de António Costa como candidato à Câmara de Lisboa. Foi designado presidente do conselho de administração da Frente Tejo, sociedade para a reabilitação da frente ribeirinha, mas acabou por sair um ano depois de ter sido convidado.

Em Lisboa, além da câmara e da assembleia municipal é também difícil haver coligação com o CDS nas juntas de freguesia. As alianças nas juntas de freguesia permitiriam ao PSD ter a ambição de recuperar algum terreno perdido em 2013. Nessas autárquicas, os sociais-democratas sofreram uma derrota também nas juntas, ficando apenas com cinco (Estrela, Avenidas Novas, Belém, Santo António e Areeiro) nu total de 24.

A hipótese de o PSD vir apoiar uma candidata do CDS que já está no terreno desde Setembro causou estrondo no partido liderado por Pedro Passos Coelho. Muitos sociais-democratas eram contra essa solução que viam como uma menorização do partido e houve até quem sugerisse a candidatura, em alternativa, do próprio líder. Por outro lado, as informações internas de que o CDS estaria a ser exigente também contribuíram para o crescimento de vozes que estavam contra. Sociais-democratas ouvidos pelo PÚBLICO garantiam mesmo que, se a coligação avançasse em Lisboa, Passos Coelho poderia vir a perder o partido numa futura disputa eleitoral. 

Face à incerteza em Lisboa, o MPT – que faz parte da actual aliança na capital – decidiu avançar com listas próprias.