Cascais começa a cobrar taxa turística em Fevereiro

Autarquia espera arrecadar 1,2 milhões de euros com a nova taxa, que vai ajudar a financiar uma extensa agenda de eventos e projectos.

A proposta de criação de uma taxa turística foi lançada em Outubro e não é consensual
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A proposta de criação de uma taxa turística foi lançada em Outubro e não é consensual José Maria Ferreira

A Câmara Municipal de Cascais vai começar a cobrar uma taxa turística a partir de 1 de Fevereiro. Todas as dormidas nos estabelecimentos hoteleiros do concelho passam a estar sujeitas à cobrança de um euro por noite, até um máximo de cinco euros por estadia.

A informação foi dada esta quinta-feira por Miguel Pinto Luz, vice-presidente da autarquia, que quer arrecadar 1,2 milhões de euros com a nova taxa em 2017. “É o valor mínimo que esperamos, porque estamos a basear-nos nas reservas de hotéis, mas ainda faltam as dos hostels e outras unidades", disse o autarca. Segundo dados da própria câmara, em 2016 houve 1,2 milhões de dormidas nos estabelecimentos do concelho. 

A criação de uma taxa turística no concelho partiu de uma proposta da Associação de Turismo de Cascais, que é presidida pelo presidente da câmara, Carlos Carreiras. E esteve envolvida em alguma polémica, uma vez que a Associação de Directores de Hotéis de Portugal e a Associação Regional dos Hoteleiros da Costa do Estoril, Sintra, Mafra e Oeiras se opuseram. De acordo com Pinto Luz, a criação da taxa foi aprovada em câmara pela maioria PSD/CDS e por alguns vereadores da oposição.

Cascais segue assim o exemplo de Lisboa, cuja câmara municipal lançou uma taxa turística em Janeiro de 2016, de um euro por noite até um máximo de sete euros. No ano passado, nos primeiros dez meses, a autarquia arrecadou 11,2 milhões de euros com a medida. Este valor vai ser usado para financiar diversos projectos da capital, como o remate do Palácio Nacional da Ajuda e o futuro Museu Judaico.

Câmara lança Museu de Arte Urbana

A câmara de Cascais vai usar o dinheiro da taxa turística para comparticipar uma extensa agenda de eventos e financiar vários projectos do município, que foram esta quinta-feira apresentados aos jornalistas. Um deles é o Museu de Arte Urbana, que vai nascer junto à Marina de Cascais num antigo espaço comercial, com um espólio de 300 obras de Vhils. Miguel Pinto Luz garantiu que este “não é um museu Vhils”, mas o artista, com trabalhos em vários pontos de Lisboa outras cidades, é a figura mais emblemática da iniciativa, ainda sem data prevista de abertura.

A câmara promete ainda começar este ano as obras de transformação do antigo Centro Comercial Cruzeiro, no Monte Estoril, numa “Academia das Artes”. O edifício, que foi comprado pela autarquia em Novembro, vai albergar o Teatro Experimental de Cascais e a sua escola, uma academia de cinema e uma escola de dança. Além disso, disse Pinto Luz, está previsto um auditório com 400 lugares, uma biblioteca e uma mediateca.

Ainda no âmbito cultural, o vice-presidente da câmara anunciou a presença de Paul Auster, Jonathan Frazen e Haruki Murakami na Feira Internacional de Cultura, que decorre em Setembro.