Mais de metade das PME espera que facturação além-fronteiras cresça em 2017

As PME têm presença na Europa, nos PALOP e na América do Norte. A sua internacionalização através de sectores de actividade como os transportes, agricultura e da construção permitiu fazer face ao declínio da facturação no mercado português.

Transportes, agricultura e construção foram os sectores que mais contribuíram para a expansão das PME internacionalmente
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Transportes, agricultura e construção foram os sectores que mais contribuíram para a expansão das PME internacionalmente ENRIC VIVES-RUBIO

Mais de metade das pequenas e médias empresas portuguesas (63%) abrangidas por um estudo da Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa, divulgado esta quinta-feira, considera que a facturação gerada pela actividade internacional vai crescer em 2017.

O estudo "Um olhar sobre a internacionalização das PME", elaborado pela Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa, em colaboração com o E-Monitor, uma plataforma de conhecimento que visa compreender a realidade sobre as micro e pequenas e médias empresas portuguesas (PME), destaca o facto de 63% das 873 empresas que responderam ao inquérito indicarem que "o volume de negócios gerado pela actividade internacional vai crescer este ano".

Metade das PME (49%) respondeu que vai aumentar o investimento na internacionalização, enquanto 34% sinalizaram que vão manter o mesmo nível de investimento além-fronteiras durante este ano.

Cerca de 80% das empresas registadas com respostas completas (873) referiram que já se internacionalizaram, "uma amostra estatisticamente relevante das PME internacionalizadas", realça o estudo.

No que diz respeito à distribuição geográfica, "a amostra é próxima da territorialidade do tecido das PME portuguesas", com Lisboa a representar 42,7%, o Centro 20,3%, Porto 13,6%, Setúbal, Alentejo e Algarve 12,9%, Norte 9,9%, Madeira 0,3% e os Açores 0,2%, refere o documento.

Ao nível dos sectores, 30% são empresas industriais (das quais 10% são indústria agro-alimentar e 5% indústrias ligadas ao vestuário e calçado), outros 30% são empresas de serviços, 15% são de comércio a retalho e 25% são empresas de sectores como Transportes, Alojamento e Serviços de "Porta Aberta".

O inquérito realça que se está perante um processo de internacionalização de empresas, na sua "imensa maioria" de pequena dimensão, eminentemente familiares e em que os accionistas e a gestão se confundem. Cerca de metade das PME cujos responsáveis responderam ao inquérito afirma ser dona/accionista da empresa em análise.

Além disso, 42% dos inquiridos admitiu ter-se internacionalizado para crescer em complemento da sua actividade no mercado interno, enquanto 33% afirmou que a internacionalização visou o crescimento num contexto de saturação ou declínio do mercado nacional. Apenas 24% das PME referiu como motivo da internacionalização o tentar compensar a quebra da facturação da actividade no mercado português.

Os resultados evidenciam igualmente "um forte espírito de empreendedorismo internacional" numa grande parte das empresas, com cerca de 42% das inquiridas a sinalizar que "nunca encarou o mercado interno como sendo o seu único mercado". Nesse sentido, 35% das empresas refere estar em mais de cinco mercados, 53% entre um e cinco mercados e 8% em mais de 20 mercados.

A presença das PME a nível internacional é liderada pela Europa com 83%, seguindo-se a África (58%), Américas (40%) e a Ásia, Médio Oriente e outras regiões com 29%. A Espanha é o mercado onde as PME estão mais presentes, representando 51% das respostas. Seguem-se Angola com 43%, França com 41% e Reino Unido com 30%. Na Europa, a Alemanha com 28%, Bélgica com 23% e a Holanda com 18% são "já muito importantes" no perfil das PME inquiridas.

Em África, Angola aparece com aproximadamente o dobro das referências de Moçambique. Os Estados Unidos e o Brasil, por sua vez, apresentam um número de respostas muito semelhantes e nestes países estão presentes quase 20% das empresas, enquanto a China se apresenta como um mercado com uma importância marcante, com valores ligeiramente acima de 12%.

Uma significativa maioria das empresas, 82%, já está internacionalizada há mais de três anos e 35% internacionalizaram-se há mais de dez anos, segundo o estudo. Além disso, cerca de 71% das empresas inquiridas assume que a actividade internacional já está a gerar resultados positivos para o negócio, sendo nos sectores dos transportes, agricultura e da construção onde se destaca esse contributo.